Perdi-me algures no caminho da vida e da morte,
entre tantas opções tinha que parar num beco,
o crespúsculo solar esfaqueia-me sem piedade,
flutuo num espaço etéreo e eterno.
Não sei o que faça, nem o que possa fazer,
procuro o norte, mas o espaço não tem direcções,
tento orientar-me numa maneira de ser,
procuro todos os meios para sobreviver.
Procuro chamar por alguém,
mas a transmissor avariou-se,
encontro-me num silêncio profundo,
a ver o tempo passar num espaço sem dimensões.
PS: Chego à conclusão que as pessoas têm dificuldades em entenderem-se umas ás outras. O silêncio que tanto usamos para nos proteger, cria um barreira que desorienta quem está a tentar compreender o outro.
Sunday, 31 August 2008
Wednesday, 27 August 2008
Viver ignorante
A análise traz-me a desilusão,
a procura de uma solução
não passa de uma tentação
em querer regular o que não compreendo.
O meu coração fecha-se com tanta análise,
a procura de estratégias desfaz
as realidades que são capazes
de brilharem por serem o que são.
Vemos beleza pelos olhos da ignorância,
por ficarmos surpresos pelo que não percebemos,
por reconhecermos que jamais compreenderemos
o que vibra perante nós permanentemente aceso.
Vou viver ignorante porque nada faz sentido,
encontrar soluções harmonizadas com os outros seres,
porque o que hoje é, amanhã deixa de o ser,
mudam-se as ideias, mas a dúvida ficará sempre.
Que raiva!
a procura de uma solução
não passa de uma tentação
em querer regular o que não compreendo.
O meu coração fecha-se com tanta análise,
a procura de estratégias desfaz
as realidades que são capazes
de brilharem por serem o que são.
Vemos beleza pelos olhos da ignorância,
por ficarmos surpresos pelo que não percebemos,
por reconhecermos que jamais compreenderemos
o que vibra perante nós permanentemente aceso.
Vou viver ignorante porque nada faz sentido,
encontrar soluções harmonizadas com os outros seres,
porque o que hoje é, amanhã deixa de o ser,
mudam-se as ideias, mas a dúvida ficará sempre.
Que raiva!
A vida hodierna
A vida hodierna,
que nos consome o espírito,
com precariedade e instabilidade,
vivemos num país fictício.
Numa sociedade nepotista,
comumente denominado de cunha,
procuramos viver iguais,
numa atitude que virou cultura.
Que raiva
por dificultarem-nos a viver,
a vida já é complexa o suficiente,
ainda querem-nos ver a sofrer.
que nos consome o espírito,
com precariedade e instabilidade,
vivemos num país fictício.
Numa sociedade nepotista,
comumente denominado de cunha,
procuramos viver iguais,
numa atitude que virou cultura.
Que raiva
por dificultarem-nos a viver,
a vida já é complexa o suficiente,
ainda querem-nos ver a sofrer.
Tuesday, 26 August 2008
A vida inteira(não tem fim) - Dora
Não sei se é distração minha, mas nunca ouvi esta música portuguesa e é bastante bonita. Parabéns para quem escreveu a letra, para quem compôs a música e para a Dora que canta lindamente.
http://www.youtube.com/watch?v=r3tgerl8IMQ&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=r3tgerl8IMQ&feature=related
Portugal - isto é uma espécie de país.
Neste Portugal,
que se indigna com Salazar,
mas considera-o uma grande personalidade,
que vê tristeza na Severa,
mas que tem prazer em tê-la,
reclama por ser o que é.
Este Portugal
que adora o futebol
e rejeita os outros desportos,
que se considera importante
por não fazer nada,
critica o que tem,
esquece-se por onde vai.
Neste Portugal,
que ignora os concidadãos,
que rejeita a arte,
que expulsa o que outros países abraçam,
anda espantado por ser o que é,
e sabe que não quer mudar.
Este Portugal,
que quer continuar a fingir,
a liberdade nunca chegou cá,
porque liberdade significa variedade,
e todos abraçam a mesma côr,
a tacanhez matou-nos ao nascer.
Vou ligar a televisão,
e ver o Vasco Santana,
vou ligar a rádio
e ouvir Madalena Iglésias
em pleno 2008.
Só agora é que reparo
que existem os Xutos e Pontapés,
é porque a idade dá-lhes direito à atenção,
mais vale ignorar as pessoas que estão a crescer,
e louvar o passado, que o presente é para esquecer.
que se indigna com Salazar,
mas considera-o uma grande personalidade,
que vê tristeza na Severa,
mas que tem prazer em tê-la,
reclama por ser o que é.
Este Portugal
que adora o futebol
e rejeita os outros desportos,
que se considera importante
por não fazer nada,
critica o que tem,
esquece-se por onde vai.
Neste Portugal,
que ignora os concidadãos,
que rejeita a arte,
que expulsa o que outros países abraçam,
anda espantado por ser o que é,
e sabe que não quer mudar.
Este Portugal,
que quer continuar a fingir,
a liberdade nunca chegou cá,
porque liberdade significa variedade,
e todos abraçam a mesma côr,
a tacanhez matou-nos ao nascer.
Vou ligar a televisão,
e ver o Vasco Santana,
vou ligar a rádio
e ouvir Madalena Iglésias
em pleno 2008.
Só agora é que reparo
que existem os Xutos e Pontapés,
é porque a idade dá-lhes direito à atenção,
mais vale ignorar as pessoas que estão a crescer,
e louvar o passado, que o presente é para esquecer.
Flôr inquinada
Antes de ires para o trabalho,
apagas o gás, fechas a porta,
metes-te na roda mecânica do motor,
arrancas em piloto automático.
Raia, seguido de riscas,
metro atrás de metro,
vais porque tens que ir,
porque não sabes como descobrir,
como compensar o tempo,
como viver num espaço perdido.
Quando eras criança,
brincavas por brincar,
andavas com os teus amigos,
saltavas por saltar,
que ninguém se importava.
Agora que te tornaste adulto,
os teus companheiros são as contas
que chegam ao correio sem pedires,
apenas tens que pagar com o teu sofrimento,
com o que sofres por teres um trabalho qualquer,
por perceberes que ninguém se interessa por ti,
porque os teus pais morreram e estás sózinho.
Tentas florir na vida,
mas estás condenado a morrer já no princípio,
só encontras poluição,
todos querem levar-te até lá,
todos querem ver-te a morrer,
a definhar, porque não te conhecem e têm inveja de ti.
Morre, morre, porque assim já não me fazes sombra,
e como ganho poder com o sofrimento dos outros,
e isso dá-me prazer.
apagas o gás, fechas a porta,
metes-te na roda mecânica do motor,
arrancas em piloto automático.
Raia, seguido de riscas,
metro atrás de metro,
vais porque tens que ir,
porque não sabes como descobrir,
como compensar o tempo,
como viver num espaço perdido.
Quando eras criança,
brincavas por brincar,
andavas com os teus amigos,
saltavas por saltar,
que ninguém se importava.
Agora que te tornaste adulto,
os teus companheiros são as contas
que chegam ao correio sem pedires,
apenas tens que pagar com o teu sofrimento,
com o que sofres por teres um trabalho qualquer,
por perceberes que ninguém se interessa por ti,
porque os teus pais morreram e estás sózinho.
Tentas florir na vida,
mas estás condenado a morrer já no princípio,
só encontras poluição,
todos querem levar-te até lá,
todos querem ver-te a morrer,
a definhar, porque não te conhecem e têm inveja de ti.
Morre, morre, porque assim já não me fazes sombra,
e como ganho poder com o sofrimento dos outros,
e isso dá-me prazer.
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