Friday, 7 January 2011

Eu e a cidade

As calçadas cheias de poesia,
e passos trauteados até à data,
só apenas o dia-a-dia
é que tira a beleza desta cidade.

Áreas musicadas por almas extintas,
onde o barulho sobrepõe-se ao nada,
e assim se procura agitar
um Tejo de água estagnada.

Parapeitos vazios e abandonados,
debruçados sobre as ruas estreitas,
decoradas por candeeiros apagados,
e placas de pessoas importantes.

O passado que nós esquecemos,
a história que é sempre ignorada,
o esforço colossal que fazemos,
para que a venda da língua seja concretizada.

Quando a chuva bate de fachada,
sobre as frontes enlutadas,
e um funeral de sumidades é realizado,
mas o tempo nunca pára.

Só mesmo eu.

Thursday, 6 January 2011

A morte é como uma mudança forçada do local de trabalho.

Wednesday, 5 January 2011

A melhor maneira de admirarmos uma paisagem é observando-a de longe.
A melhor comemoração é a que pertence a um evento do passado e só agora é que estamos a recolher os frutos. Mas na realidade, já andamos a trabalhar para o futuro.

Monday, 3 January 2011

O peso do mundo

Por cada massagem sinto os ossos,
os conectores que seguram a forma,
produto do amor e afecto
de quem vê para além do óbvio.

De alguém que conhece as forças da natureza,
o frio do fogo da vingança que sai do frigorífico,
das máscaras que usam para te procurarem assustar,
e dos olhos que te espreitam pelos orifícios.

E nada os impedirá dos teus pais se juntarem,
e a matilha que se fecha para te proteger,
e a lua reflecte-se no espelho da noite,
num cenário dantesco ainda por acontecer.

Tudo passa, tudo circula, tudo volteia,
mas nenhum uivo os deixa passar,
por muitas vozes que te serpenteiem,
o único grito que se ouve é o teu troar.

De um lobo a nascer com as patas no riacho,
e do futuro terás muito que engolir,
mas a tua vida é transmitida por DNA,
e iguais aos pais, nunca irás fugir.

E irás debater-te em lutas canibais,
suicídas e extremamente territoriais,
mas irás perceber que quem te quer mal,
já se perdeu há muito tempo.

Sunday, 2 January 2011

Cada músico de rua é um ponto de fuga para o universo, e ninguém os dá importância.

Universal

Quando estou sózinho por qualquer estrela,
tudo ainda se está por se realizar,
todos os sonhos ainda são possíveis,
mas porque demoram muito tempo a chegar?

Parece que peço compaixão, ninguém para me virar,
parece que apenas vivo do desentendimento,
quando só quero voltar para o sítio que me tiraram,
por quanto mais tempo tenho que largar o movimento?

Dizem que tudo ainda se pode passar,
apenas tenho que deixar acontecer,
não tenho mais nada que consiga largar,
a não ser uma pedra preste a desaparecer.

O último suspiro deitado na cama,
tudo ainda se está por se realizar,
não me parece que se vá realizar,
mas porque demora muito tempo a acontecer?