1 - Não se faz nada
2 - Não acontece nada
3 - Não existem opções
4 - Não se tomam decisões
5 - Não existem gostos
Monday, 8 June 2009
Saturday, 6 June 2009
Os sonhos maus
A água do oceano cai sobre mim,
os peixes nadam sem fim,
as gotas são incontáveis,
os monstro são indomáveis.
Fico feliz quando se manifestam só nos sonhos,
que vivam num reino limitado e finito,
porque é lá que eles pertencem,
e não preciso deles no mundo dos vivos,
não preciso deles ao pé de mim.
os peixes nadam sem fim,
as gotas são incontáveis,
os monstro são indomáveis.
Fico feliz quando se manifestam só nos sonhos,
que vivam num reino limitado e finito,
porque é lá que eles pertencem,
e não preciso deles no mundo dos vivos,
não preciso deles ao pé de mim.
Friday, 5 June 2009
Quando não sobra nada
Quando tudo foi dividido,
nada resta nada para subtrair,
não há lugar para se virar,
não há nada que possa sobrevir.
Almas cobertas por um deserto,
as bocas suplicam por água,
como um prisioneiro de guerra
a ser torturado fora da pátria.
As roupas rasgadas pelo tempo,
tiras que não disfarçam o óbvio,
mas não existe alguém para assumir,
o que do futuro escolheu o frio.
nada resta nada para subtrair,
não há lugar para se virar,
não há nada que possa sobrevir.
Almas cobertas por um deserto,
as bocas suplicam por água,
como um prisioneiro de guerra
a ser torturado fora da pátria.
As roupas rasgadas pelo tempo,
tiras que não disfarçam o óbvio,
mas não existe alguém para assumir,
o que do futuro escolheu o frio.
Thursday, 4 June 2009
Social Robots - a shocking reality
Social robots are the future in robotics. It will exist lot of corporates who will like to sell social robots and it will be lot of consumers who are alone and need someone to talk. The act of replacing a human friendship by a robot is closer than ever. It's really impressive and sometimes shocking seeing a robot interacting with a human. Nevertheless, it will exist many buyers who are willing to purchase one.
It's amazing how a human responds well to a person face, even if that face is made of some kind of fabric. We're really similar to any other animal. If we see a face, we interact it well and it doesn't matter if it's human or not. It's just like a parakeet that looks to a mirror. For him, the reflection that he sees, is just another animal and not himself.
In a video that I saw on the web, a MIT professor shows a student interacting with a robot, called Kismet. The student was teaching the robot that Big Bird and Cookie Monster (characters from the Sesame Street) are good or bad characters.
In the first experience, the student shows a plush Big Bird, saying that the plush is a friend. After that, he says to the robot to grab the object. The robot, delightfully, grab it.
In the second experience, the student teaches the robot, saying that the Cookie Monster is bad. Then, he orders the robot to grab it and force it. The robot pop its eyes, roll its head to the back and silently shows repudiation to the object.
It's really outstanding seeing an robot interact, but two things shocked me. Firstly, it doesn't affect me talking to a robot. For this simple reason, this is amazing. I reflected myself in the student position, and I would do the same thing. Nowadays, I talk to my dog. I know that he doesn't understand each word what I'm saying, but the fact of knowing that someone is listen, it's wonderful and comfortable. Secondly, teaching a robot that the Cookie Monster is bad, this principle goes against my values, it's difficult to watch. For me, Cookie Monster is a funny character and not a bad animal. For this reason, seeing someone teaching a wrong thing, it shocked me. With these robots, it's possible to teach wrong values, and they will act without weighing the act. It's just like teaching a rottweiler that attacking a person is good thing. We know that it's wrong and immoral, but the robot will ever notice?
Just for curiosity, a robot is accepted if it's a social robot if it is autonomous in thinking and passes the Touring Test and respect Isaac Asimov's Three Laws of Robotics. It's really the big deal.
It's amazing how a human responds well to a person face, even if that face is made of some kind of fabric. We're really similar to any other animal. If we see a face, we interact it well and it doesn't matter if it's human or not. It's just like a parakeet that looks to a mirror. For him, the reflection that he sees, is just another animal and not himself.
In a video that I saw on the web, a MIT professor shows a student interacting with a robot, called Kismet. The student was teaching the robot that Big Bird and Cookie Monster (characters from the Sesame Street) are good or bad characters.
In the first experience, the student shows a plush Big Bird, saying that the plush is a friend. After that, he says to the robot to grab the object. The robot, delightfully, grab it.
In the second experience, the student teaches the robot, saying that the Cookie Monster is bad. Then, he orders the robot to grab it and force it. The robot pop its eyes, roll its head to the back and silently shows repudiation to the object.
It's really outstanding seeing an robot interact, but two things shocked me. Firstly, it doesn't affect me talking to a robot. For this simple reason, this is amazing. I reflected myself in the student position, and I would do the same thing. Nowadays, I talk to my dog. I know that he doesn't understand each word what I'm saying, but the fact of knowing that someone is listen, it's wonderful and comfortable. Secondly, teaching a robot that the Cookie Monster is bad, this principle goes against my values, it's difficult to watch. For me, Cookie Monster is a funny character and not a bad animal. For this reason, seeing someone teaching a wrong thing, it shocked me. With these robots, it's possible to teach wrong values, and they will act without weighing the act. It's just like teaching a rottweiler that attacking a person is good thing. We know that it's wrong and immoral, but the robot will ever notice?
Just for curiosity, a robot is accepted if it's a social robot if it is autonomous in thinking and passes the Touring Test and respect Isaac Asimov's Three Laws of Robotics. It's really the big deal.
Tenho saudades das árvores
Tenho cada vez mais saudades das árvores. Tenho saudades de estar sentado sobre uma erva rasteira, de estar rodeado de árvores altas e frondosas e de todo o tipo de insectos - formigas, pequenas aranhas e outros bichos microscópicos. Tenho de saudade de tocar num tronco enrugado, de sentir a áspera casca que protege a árvore. Tenho saudade de ver pedras, grandes ou pequenas, tanto faz, de pegá-las e atirá-las para o vazio. Qualquer dia passo uma tarde num pinhal a descansar no automóvel. Só falta mesmo uma companhia decente para estar a conversar.
Já estou farto de tanto cimento e alcatrão. Tenho vontade de viver numa pequena localidade, ou numa cidade única, como por exemplo Veneza ou Innsbruck.
Veneza é a cidade onde os prisioneiros e os doentes são levados para as prisões e hospitais, respectivamente, de barco. Deve ser extraordinário observar tal acontecimento. Veneza é a cidade onde os barcos enlaçam as cordas em paus de rebuçado listrados de vermelho e branco. É a cidade onde se ouve música clássica por todo o lado. Espectacular.
Innsbruck é uma cidade rodeada de montanhas, sempre com topo coberto de neve. Os abetos que começam a ficar acastanhados em meados de Setembro, começam a condizer com as janelas ou mesmo com alguns hóteis construídos em madeira. É concerteza uma cidade maravilhosa.
Se pudesse escolher um local para viver destas duas cidades, não saberia escolher.
Já estou farto de tanto cimento e alcatrão. Tenho vontade de viver numa pequena localidade, ou numa cidade única, como por exemplo Veneza ou Innsbruck.
Veneza é a cidade onde os prisioneiros e os doentes são levados para as prisões e hospitais, respectivamente, de barco. Deve ser extraordinário observar tal acontecimento. Veneza é a cidade onde os barcos enlaçam as cordas em paus de rebuçado listrados de vermelho e branco. É a cidade onde se ouve música clássica por todo o lado. Espectacular.
Innsbruck é uma cidade rodeada de montanhas, sempre com topo coberto de neve. Os abetos que começam a ficar acastanhados em meados de Setembro, começam a condizer com as janelas ou mesmo com alguns hóteis construídos em madeira. É concerteza uma cidade maravilhosa.
Se pudesse escolher um local para viver destas duas cidades, não saberia escolher.
Wednesday, 3 June 2009
O problema do contador de histórias
Existe uma pessoa que adora escrever e contar histórias. Esse escritor passa dias sentado agarrado à maquina de escrever, e sempre num ambiente com pouca luz e humido, o som das teclas irrompe. Clac, clac, tlim...
À medida que ele escreve, o seu corpo muda. Por estar sentado bastante tempo, as mão e os pés ganham raízes. Estes acrescentos imiscuem-se na mesa e no chão de madeira. De repente, torna-se parte fixa da casa.
A cabeça dele incha e transforma-se numa copa frondosa. Os pássaros descobrem um novo lugar para estar e decidem poisar nos ramos. Imediatamente começa a nascer mais passarinhos. O que resta de um escritor solitário agora pertence à natureza.
Nos momentos em que não está a escrever, gosta de contar histórias. Para tentar ultrapassar o facto de estar sózinho, vai ao parque e pergunta ás pessoas se lhes pode contar uma história. Há dias que ele tem sorte, e uma mãe ou pai acede que ele conte a história aos filhos, outras vezes apenas lhe resta ficar sentado no banco a imaginar que está a contar a história dele para alguém.
De tanto contar histórias no mesmo parque, ganhou a alcunha do contador de histórias. Mas o contador de histórias tem um problema. Esse problema está na razão de ter-se tornado escritor.
Desde criança que sempre achou que conseguia criar um mundo diferente e bem mais interessante do que vivia. Sempre achou que o mundo não estava à sua altura. Esta atitude de arrogância e de decepção levou-o a escrever histórias, sempre com o objectivo de provar a alguém que consegue mostrar a todos os leitores que existe um mundo muito mais bonito e interessante para se estar e que todos deviam ter em consideração as suas crenças para viver melhor. Ele sabia que estas ideias deviam ser passadas de forma subtil e achou que a forma correcta de fazê-la era através das histórias.
De tanto criar os seus mundos e gostar de contá-los, esqueceu-se que acabou por erguer paredes. Por muita imaginação que tinha, cada vez que contava a sua história estava a descrever a sua personalidade. Sem se aperceber, as suas histórias foram ficando mais isoladas e distantes e já ninguém as compreendia. A sua boa intenção que levou-o a escrever, tinha-se tornado numa prisão, onde as paredes iam-se apertando por cada dia passado e iam-o sufocando cada vez mais.
À medida que ele escreve, o seu corpo muda. Por estar sentado bastante tempo, as mão e os pés ganham raízes. Estes acrescentos imiscuem-se na mesa e no chão de madeira. De repente, torna-se parte fixa da casa.
A cabeça dele incha e transforma-se numa copa frondosa. Os pássaros descobrem um novo lugar para estar e decidem poisar nos ramos. Imediatamente começa a nascer mais passarinhos. O que resta de um escritor solitário agora pertence à natureza.
Nos momentos em que não está a escrever, gosta de contar histórias. Para tentar ultrapassar o facto de estar sózinho, vai ao parque e pergunta ás pessoas se lhes pode contar uma história. Há dias que ele tem sorte, e uma mãe ou pai acede que ele conte a história aos filhos, outras vezes apenas lhe resta ficar sentado no banco a imaginar que está a contar a história dele para alguém.
De tanto contar histórias no mesmo parque, ganhou a alcunha do contador de histórias. Mas o contador de histórias tem um problema. Esse problema está na razão de ter-se tornado escritor.
Desde criança que sempre achou que conseguia criar um mundo diferente e bem mais interessante do que vivia. Sempre achou que o mundo não estava à sua altura. Esta atitude de arrogância e de decepção levou-o a escrever histórias, sempre com o objectivo de provar a alguém que consegue mostrar a todos os leitores que existe um mundo muito mais bonito e interessante para se estar e que todos deviam ter em consideração as suas crenças para viver melhor. Ele sabia que estas ideias deviam ser passadas de forma subtil e achou que a forma correcta de fazê-la era através das histórias.
De tanto criar os seus mundos e gostar de contá-los, esqueceu-se que acabou por erguer paredes. Por muita imaginação que tinha, cada vez que contava a sua história estava a descrever a sua personalidade. Sem se aperceber, as suas histórias foram ficando mais isoladas e distantes e já ninguém as compreendia. A sua boa intenção que levou-o a escrever, tinha-se tornado numa prisão, onde as paredes iam-se apertando por cada dia passado e iam-o sufocando cada vez mais.
Sem título conhecido - Bertolt Brecht
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.
Subscribe to:
Posts (Atom)