Sunday, 8 June 2008

Desespero de um pianista desempregado

Que dôr solitária me asola o coração,
por ser um pianista desempregado,
pela minha voz ter sido calada,
pela minha arte ser rejeitada.

Como posso ser alguém em terra de surdos,
se só existo se pararem para me ouvir,
estamos numa sociedade em constante movimento,
até esquecemos do país em que existimos.

Não tenho a culpa dos meus gostos,
a minha profissão descreve a harmonia,
não sei exprimir-me doutra forma,
escrevo paz no ar, todos os dias.

O desrespeito pelas pessoas atinge na música um extremo chocante. Actualmente, todos os músicos são ostracizados pela a sociedade. As pessoas esquecem-se que cantarolam diariamente músicas cantadas e criadas por músicos. Seria muito interessante todos os músicos do mundo entrarem em greve ao mesmo tempo. Não sei o que aconteceria, mas gostava de ver.

Para todos os ouvintes de música comercial, tentem pelo menos ouvir e reflectir sobre a letra da canção.

Para os ouvintes de música clássica e jazz, continuem a explorar o som e o silêncio, e continuem a descobrir a história por detrás de cada música.

O meu nome

Despido de pretensiosismo,
o meu primeiro nome vem ao de cima,
sou Pedro e só Pedro,
e viro a cara para quem o afirma.

Minha mãe o diz quando quer respeito,
a responsabilidade que tenho por carregá-lo,
com esta cara ou outra qualquer, o meu nome
acompanhar-me-à o tempo inteiro.

Irá existir para além do meu corpo,
desaparecerá quando ninguém mais o proferir,
o meu nome está dependente de terceiros.

Saturday, 7 June 2008

Dá-me a mão

Dá-me a mão, vamos sair, vamos ver o sol...
Olhar para o céu, imaginar cordeiros,
temos o dia inteiro só para nós.

Envia-me um telegrama a dizer que me amas,
vamos esquecer estes tempos,
vamos viver como os nossos avós.

Saudades

Cabeça malandra que me aperta,
por sentir sempre o mesmo,
carrego esta alma deserta.

Por me cobrir de enganos,
de sonhos e saudades,
tantos sonhos que tenho,
lembranças de amigos de anos.

Nada que fazer,
foge-me o coração das noites inteiras
perdidas em cerveja.

Alvorada - Cartola

Alvorada, lá no morro, que beleza,
Ninguém chora, não há tristeza,
Ninguém sente dissabor.

O sol colorindo,
É tão lindo, é tão lindo,
E a natureza sorrindo,
tingindo, tingindo.

Você também me lembra a alvorada,
Quando chega iluminando,
Meus caminhos tão sem vida.

E o que me resta é bem pouco,
Quase nada de que ir assim,
Vagando numa estrada perdida.

Alvorada......

ver:
http://youtube.com/watch?v=lEHA2F5cmok&feature=related

Preciso Me Encontrar - Candeia

Deixe-me ir, preciso andar,
Vou por aí a procurar,
Rir pra não chorar.

Quero assistir o sol nascer,
Ver as águas dos rios correr,
Ouvir o pássaros cantar,
Eu quero nascer, quero viver...

Se alguém por mim perguntar,
Diga que eu só vou voltar,
Depois que eu me encontrar...

ver:
http://youtube.com/watch?v=WQZF0vjjNhc

Senhor doutor

Senhor doutor, veja por favor,
tenho uma dôr no coração,
ela foi para os braços de outro,
levou-me a casa, o carro e o cão.

Este alto do lado esquerdo,
que me afecta o dia inteiro,
não me leve a carteira,
porque não tenho mais dinheiro.

Nem com uma cirurgia de peito,
isto vai ao sítio certo,
tudo o que me deu não tem efeito,
estes remédios já são velhos.

Dê-me um copo de água,
cheio de pedras de gelo,
a mulher passou-me a perna,
por ser um velho sem cabelo.

Encontrou um jovem no caminho,
musculado, o último grito,
imaginou-se todas as noites
enrolado com o menino.