lundi 23 novembre 2009

Povo português

O povo que está virado para Sul,
mas que deseja emigrar p'ra Norte,
acompanhar as gaivotas nas memórias,
partir para Este em busca da sorte.

Levar Fátima no peito p'ra as Américas
antes em navios, agora de avião,
ou em solas até França ou até Fez,
em busca do perdido Dom Sebastião.

Orientado p'ra os pontos cardiais,
povo sempre virado para a saída.
nem o pão, nem o vinho são o suficiente,
p'ra segurar a sua fatídica partida

Vislumbre imediato

Pedi emprestado o maior raio de luz
Respirei o saudoso vento da madrugada
Cantei com todas as vozes do mundo
contei todos os segredos à minha fada.

Da janela avistei-te no passeio,
resguardada do Inverno fiel,
onde nada está desencontrado, eu sei,
desapareceste debaixo do tunel cruel.

No teu peito ouvi o Tejo,
caravelas que partiam os amores
ondas de beijos não resta sobejos
arco-iris pintado de todas as cores.

jeudi 19 novembre 2009

Quanto mais me treino para ser racional, mais irracionais são os meus actos.

mardi 17 novembre 2009

Cantiga de um Verão

As crianças bailam
ao som de cantigas de roda
gritam, saltam e dançam,
cantam melodias folclóricas.

Ora vamos à praia,
ou passear num carro,
vamos ver a barca nova
juntos num autocarro.

Maria e Leonor rodopiam
num círculo perfeito
para que as saias estiquem
formem um mundo bem feito.

Em cem metros
mil braços de criança
alcançam mais
que qualquer coisa humana.

Lonesome George

Uma brisa sopra em ti meu querido George. Neste momento todos te admiram, encontram em ti uma magia, embora não seja pelos melhores motivos. Chamam-te solitário por seres o último da tua espécie. Embora tu consigas reunir as pessoas ao teu redor, elas continuam cegas com elas próprias, esquecendo de olhar para ti com devido valor. Na sombra da folha, protegido da chuva contas o teu dia à única pessoa que te ouve. Uma magia nostálgica te abraça neste paraíso. Olho para ti e vislumbro o que somos graças a ti. Desejo-te uma melhor vida.

samedi 14 novembre 2009

Devolve-me o que não te pertence

Devolve-me o que não te pertence,
os laços que me roubaste do quarto,
com os teus olhos eternos de lince,
o que estava direito ficou apagado.

Trouxeste-me a revolta de um peixe,
tu sabes disso, mas ficaste calada,
decidiste ficar escondida no silêncio,
enquanto me observavas sentada.

Mas agora já estou farto,
quero começar a minha vida inacabada,
do local em que me deitaste abaixo
começo um futuro inexplorado.

E já não tenho medo em encontrar-te,
pois passarei à tua frente levantado,
o feitiço que me deitaste com o olhado,
chegou ao fim, está terminado.

jeudi 12 novembre 2009

Será o belo belo?

Faz sentido que só achamos bonito,
quando nos olhos doutros não há imperfeição,
quando a ignorância filtra o mundo,
porque não conhecemos a verdadeira razão.

Das fases da vida que existem,
o nascimento é o mais nobre momento,
porque pensamos assim,
se nascer demora um segundo e viver é para sempre?

mercredi 11 novembre 2009

Árvores de plástico

São árvores de plástico,
verde, vermelho e azul
folhas perenes no Inverno
que não caem por nada.

São amores persistentes
guardado por cachecóis
arbustos cónicos espalhados
plantados naquela estrada.

É a chuva envidraçada
em vitrais que filtram a luz
colunas que suportam o som
que toca na hora sagrada.

Ornamentações finas
elevadas para quem pena
tudo porque alguém falhou
quando mais precisava.

Se eu fosse o que quisesses
o que serias por mim?

lundi 9 novembre 2009

Sabemos que um pássaro voa quando percorre os céus.
Sabemos que uma pedra caiu quando a vemos no chão.
Mas não o vemos quando partiu,
nem a vemos quando caiu.

mercredi 4 novembre 2009

O raio do perfume

Hoje estou tão aborrecido,
tão cheio que nem um sapo inchado,
é o dia para todos se afastarem de mim,
onde estou desiludido com as mulheres
e o raio do perfume que elas trazem.

Aquele cheiro que me obriga a parar
para tapar o nariz e segurar as pontas,
porque estou proibido de avançar
porque rapidamente sou ferido pelas garras
de alguém que veio não sei de onde.

Por alguém que usa calças de ganga ajustadas,
mas aonde é que anda o raio da saia,
"- As mulheres usam saia!", afirmo intensamente,
porque mulher sem saia é como homem sem calças
querem afirmar o lado que já por si mente.

Hoje sinto-me demasiado prolixo,
tudo causado do ar rarefeito,
lado oposto que merece estar no lixo
no monte lixeira mais afastada da cidade,
no canto mais remoto onde não sinta o cheiro.

dimanche 1 novembre 2009

Roads - Portishead

Ohh, can't anybody see
We've got a war to fight
Never found our way
Regardless of what they say

How can it feel, this wrong
From this moment
How can it feel, this wrong

Storm.. in the morning light
I feel
No more can I say
Frozen to myself

I got nobody on my side
And surely that ain't right
And surely that ain't right

Ohh, can't anybody see
We've got a war to fight
Never found our way
Regardless of what they say

How can it feel, this wrong
From this moment
How can it feel, this wrong