samedi 31 janvier 2009

Caminho da humanidade

Das estruturas pretas e brancas
em que desconhecemos quais as cores,
não as vemos por estarmos fechados,
virados para o caminho contrário.

Na pesquisa interminável de padrões,
na luta infinita pela compreensão,
na luta política pelo reconhecimento,
apenas queremos alguém que nos entenda.

Estar perdido faz parte do caminho,
não escolhe humano nem idade,
quem ouve os ídolos quer ouvir,
o caminho de encontro à felicidade.

Percorrer um caminho sem sentir-se só,
é não reconhecer o papel da natureza,
por cada ano passado, mais próximos estamos,
embora recusemos fazer parte dela.

Quanto mais viajamos,
mais silenciosos ficamos,
mais compenetrados nos tornamos,
pelos quilómetros que andámos.

Para mim, até Santiago, eu irei um dia,
que seja num dia de felicidade,
por já reconhecer as cores e o lugar,
por ter encontrado a cara metade.

jeudi 29 janvier 2009

Neva sobre os pinheiros bravos

Neva sobre os pinheiros bravos,
nas montanhas frias e pálidas,
a manhã acorda-te por detrás da janela do quarto
para esta vida cada vez menos calma.

Três notas ecoam pela brisa gélida,
vindo do chilrear do bando de pássaros,
fazemos uma vénia à sabedoria da natureza
por ela conseguir ser tão suave.

mardi 27 janvier 2009

Soldado da guerra

O amanhã nunca há-de vir para o que quero,
vou ter que viver com este vazio,
que procuro ignorar com toda a força.

A parede não está completa,
está cinzenta, suja e esventrada,
pareço um soldado vindo da guerra,
que perdeu tudo o que lhe ligava à terra.

Sou

Sou mais pequeno que esta flôr,
sou mais frágil que esta jarra,
estou agrilhoado pela natureza,
confinado à forma da alma humana.

Pingo a pingo, segundo a segundo,
o tempo passa pelos campos em flôr,
corro, arfo, páro, respiro, sento-me, suspiro,
ao ver o sol a nascer e a pôr-se.

dimanche 25 janvier 2009

Personalidade fugitiva

Estou farto da minha personalidade,
não a tolero nem mais um momento,
quero queimá-la com ferros em brasa,
guardá-la em sacos de plástico.

Corro atrás dela, mas ela foge,
escapa-me entre os dedos, rapidamente desisto,
tudo sai fora de controle,
até em querer mudar não consigo.

jeudi 22 janvier 2009

Nada

Estou com raiva, cheio de raiva pelo nada.
Do nada se estraga a vida, porque nada acontece,
nada floresce, é apenas terreno infértil.

Tudo o que eu quero, nada,
a vontade de crescer, nada,
sempre nada, nada, nada.

Os dias passam, a vida não pára,
quando é para morrer, o corpo tem pressa,
quando é para viver, o nada obriga-me a esperar

mardi 20 janvier 2009

João Aguardela

João Aguardela, obrigado pelas músicas que criaste. Que Deus esteja contigo e que das nuvens continues a inspirar muita gente.

"os dias sem ti,
são todos iguais,
são dias sem brilho,
são dias a mais."

de João Aguardela

Eu enfrento-Te

Isto é um assunto entre Deus e eu,
se me escolheste foi por alguma razão,
é com um desafio que me enfrentas,
eu garanto-te que vou superá-lo com o meu coração.

Dou a felicidade pela felicidade,
ninguém me impedirá em atingi-la,
podem-me levar o ar e a vontade,
mas não a mulher que quero para a vida.

jeudi 15 janvier 2009

Viver

Viver é uma equação enorme,
onde numa tarefa solitária
procuro resolver cada termo.

mardi 13 janvier 2009

samedi 10 janvier 2009

A alma

Não se abre o presente antes do tempo
porque o vinagre pode não ter desaparecido,
toda a ânsia que o corpo traz do ventre,
destrói o possível amor antes de ter nascido.

Deus, dá-me um sentido à vida,
dá-me aquela mulher para a vida,
que tanto temo em enfrentá-la.

A alma serve para apaziguar-nos,
mas sem uma mulher a amparar-nos,
somos guerreiros perdidos. Ninguém!

Fico feliz com o teu destino

O sol que se põe, a lua que brilha,
as estrelas feitas de pó flutuante,
espero que a noite te faça feliz.

Nunca percas a magia,
é por ela existir que existes,
é por seres assim que me iluminas.

Espero que quem esteja contigo,
te ponha no lugar que mereces, o centro,
é no centro que gira o universo.

Se alguma vez quiseres falar,
por qualquer coisa que possa advir,
eu estou sempre pronto para te ouvir.

Seja a qualquer hora,
seja a qualquer dia,
fico feliz por te ver feliz,
fico feliz com o teu destino.

mardi 6 janvier 2009

Desejos

Choro tanto pelas crianças que morrem na guerra,
choro pelas pessoas que usam ignorância para iluminar-lhes o caminho,
choro pelas pessoas que invejam apenas pelo acto de invejar,
choro pelas pessoas que esqueceram que o maior tesouro vem no verbo amar.

Choro tanto por ti por não te ter ao meu lado, por não poder partilhar,
choro tanto até o fôlego me secar as lágrimas e endurecer a alma,
choro tanto por não estar junto de ti, choro até não aguentar mais,
não pensei que fosse tão vulnerável por entre sombras gigantes.

Encontro-me em guerra, sou bombardeado sem misericórdia,
quero que a paz nasça destas cinzas, mas não sei como faço.
Dia após dia continuo a lutar apenas por lutar, já não tenho opinião,
transformei-me em máquina e não sei se consigo voltar a ser pessoa.

Quero paz em mim, quero paz em todos,
quero avançar de vez com este mundo e deixar de ser devorado pela sociedade,
quero ser eu mais do que tudo, quero pôr o mundo a andar,
quero ter-te na minha vida, quero envelhecer e morrer ao teu lado.

samedi 3 janvier 2009

Sonho

Sonho com o dia em que me queres,
nunca mais o vejo a chegar,
imagino-te de braços abertos,
sonho com o dia em que me queres.

Sonho com o dia em que me fizeste,
chorei até nunca mais parar,
sobre influência de um ser alegre,
sonho com o dia em que me fizeste.

Sonho com o dia pendente,
imagino a meta para atravessar,
corro sempre cheio de alento,
sonho com o dia pendente.

Conquistador

Porque fazes isto,
estalas-te em saudades,
desejas que o mar te percorra,
rendes-te à liberdade
o que vento polar te faz.

São vidas para ti,
Além mar do desconhecido

Desafias todos os teus inimigos,
Atacas os gigantes invencíveis.

Capitão desta nau enorme,
Ondas que te levam,
Seguras com força o leme
Tudo fazes para que não te vires e
Amarres no destino pretendido.

vendredi 2 janvier 2009

Cavalo à solta - José Carlos Ary dos Santos

Minha laranja amarga e doce
meu poema
feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve breve
instante da loucura.

Minha ousadia
meu galope
minha rédea
meu potro doido
minha chama
minha réstia
de luz intensa
de voz aberta
minha denúncia do que pensa
do que sente a gente certa.

Em ti respiro
em ti eu provo
por ti consigo
esta força que de novo
em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo.

Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura.

Por isso digo
canção castigo
amêndoa travo corpo alma amante amigo
por isso canto
por isso digo
alpendre casa cama arca do meu trigo.

Meu desafio
minha aventura
minha coragem de correr contra a ternura.

From Camille - Jean-Luc Godard & Fritz Lang

Camille: Tu vois mes pieds dans la glace?
Paul: Oui.

Camille: Tu les trouves jolis?
Paul: Oui, très.

Camille: Et me chevilles, tu les aimes?
Paul: Oui.

Camille: Tu les aimes mes genoux, aussi?
Paul: Oui, j'aime beaucoup tes genoux.

Camille: Et mes cuisses?
Paul: Aussi.

Camille: Tu vois mon derrière dans la glace?
Paul: Oui.

Camille: Tu les trouves jolies mes fesses?
Paul: Oui... très. (...)

Camille: Et mes seins, tu les aimes?
Paul: Oui, énormément. (...)

Camille: Qu'est-ce que tu préfères: mes seins, ou la pointe de mes seins?
Paul: Je sais pas. C'est pareil.

Camille: Et mes épaules, tu les aimes?
Paul: Oui.

Camille: Moi je trouve qu'elles sont pas assez rondes... Et mes bras?
Paul: Oui.

Camille: Et mon visage?
Paul: Aussi.

Camille: Tout? Ma bouche, mes yeux, mon nez, mes oreilles?
Paul: Oui, tout.

Camille: Donc tu m'aimes totalement!
Paul: Oui. Je t'aime totalement, tendrement, tragiquement.

Camille: Moi aussi, Paul.

jeudi 1 janvier 2009

Satin Doll

Eu estou aqui,
neste ponto,
neste lugar,
em latitude e longitude,
nuvens e pensamentos,
neste momento,
neste corpo,
neste tempo.

Escolho estar aqui para te ver,
embora me ignores,
desapareças,
em tempo de sol ou chuva,
a ver-te passear com outro,
mas continuo aqui,
neste segundo,
até alguém me levar daqui.