Friday, 29 May 2009

O documentário

São palavras cantadas,
que duma voz falada,
tornam-se em embalos,
narrativas bem fundadas,
uma história bem estruturada,
que se chama documentário.

O documentário é o lugar onde prefiro as palavras, muito mais que as discussões inócuas de um grupo de rapazolas à volta da mesa, que procuram defender a ideia mais estapafurdia e acabam o discurso aclamando que, quem não percebeu a ideia é porque não tem categoria para estar ali. Este momento a preto e branco de estupidez contrasta de uma forma gritante com a poesia falada que é um documentário.

A beleza do documentário existe na maneira como a narrativa é escrita. O conjunto das ideias que são organizadas e encadeadas entre si, faz o ouvinte entrar num viagem. Assistir à vida real, mas de uma forma poética, é chocante e ao mesmo tempo encantador. Acaba-se por se tirar uma beleza provinda do acaso, simplesmente porque assistimos ao princípio, meio e fim de algo. Muito provável, a beleza tirada num documentário é graças ao condensar de um assunto que, na realidade, acontece a longo prazo, mas é apresentado ao espectador numa hora. Podemos deduzir que é muito provável que um documentário não seja tão fiel à realidade como se quer transparecer, embora os factos sejam reais. Mas também posso concluir o contrário, que um interveniente jamais consegue tirar beleza do acontecimento que vive a longo prazo.

Num documentário que mostra a biografia de alguém, o próprio interveniente da sua vida jamais encontrará a mesma beleza que um espectador adquire ao assistir à sua própria biografia. O mais estranho é que, o principal responsável da sua pessoa jamais irá compreender a sua vida, embora esteja a viver nela. Trata-se de uma situação bizarra, da mesma forma que os outros passam mais tempo a olhar para a nossa cara do que nós próprios. Cada um de nós desconhece muita das expressões que tem e desconhece por completo as suas expressões faciais em certas situações. Num sentido mais lato, cada um de nós desconhece a sua própria vida.

Um documentário é uma tentativa de simular que sempre ouve uma câmara a filmar a vida de alguém durante todo o tempo e no final fez-se o resumo. Mas é um resumo montado de tal forma que vai em correspondência com a realidade ou não, mas que enfeitiça quem o assiste.

Thursday, 28 May 2009

Está na hora

Uma mão que abre a tampa do frasco,
que de dentro solta-se o vento,
que leva o passado,
traz o presente,
já podes respirar,
desfrutar o tempo,
a erva nasce,
a árvore cresce,
a primavera aparece,
sabes que tempo chegou?,
o tempo do renascimento.

O mundo da política

Ah, o mundo da política, o famoso mundo dos conhecimentos. Ó meu Deus, o que é isto?! Já estou a ouvir a música da sério "O Polvo". Ainda aparece o Corrado, no seu Volkswagen Corrado ;) a querer-me apanhar.

Eu gostava de saber como é que é possível governar com falta de ideais, com pessoas que estão envolvidas em processos criminais, com pessoas cujas medidas implementadas não alteram a condição do país, com pessoas que endividam o país e, mesmo assim, são os únicos candidatos possíveis.

Raios e coriscos, não me parece que o destino deste país há-de parar em algum lado decente.

Eu bem gostava de poder ajudar, mas num país onde não existe organização, falta de respeito e muitas pessoas mal formadas, é realmente muito difícil fazer qualquer coisa.

O mundo da política parece-me uma instância balnear coberta com meta-trabalho. Eu chamo meta-trabalho a todas as coisas que fazemos, mas que não competem à função. Por exemplo, um político deve governar o país e não passar o tempo a governar-se. Um político deve apresentar medidas práticas e não perder o tempo no cochicho. Um político deve passar o tempo a trabalhar e não passar o tempo a passear nos corredores. Julgo que já me fiz entender.

Porque é que a política tornou-se uma carreira? Porque é que os políticos não podem só ser eleitos uma só vez? E por último, quem os julga pelas más decisões? Que eu saiba, a demissão não é a pena a cumprir por gestão danosa.

Existe cada coisa neste país.

Friday, 22 May 2009

Algo mudou no interior, mas não existe nenhuma manifestação visível (exterior).
Algo mudou no exterior, mas não existe nenhuma manifestação comportamental (interior).

São os pontos de uma recta. É um segmento de recta.

Thursday, 21 May 2009

Desaires de amor

Andei à procura de um tema para fechar este trio de textos romântico e, de repente, lembrei-me falar sobre o tema de desaires de amor.

Realmente, este blog está a virar uma revista Maria e não é a minha intenção.

Em conversa com uma amiga que conhece alguém que está ressentido por uma destas situações, chegámos à mesma conclusão que andar a remoer em situações de desaires de amor de longa data é um bocado sinistro.

Todos nós passamos por desaires de amor em qualquer momento da nossa vida. Os desaires não estão só reservados a jovens que têm uma vida pela frente, mas também acontecem nos adultos. É perfeitamente normal sentirmo-nos desgastados por estas situações, mas são sempre situações momentâneas. Haver pessoas a ficarem ressentidas por muito tempo por causa destas situações, é coisa do passado. Por muito que se tenha institucionalizado na sociedade, e gostaria de saber quem inventou esta forma de estar, haver almas sofridas por alguém que não se fala há muito tempo, não é nada normal.

Por isso, para a malta que sofre de amores, está na hora de mudar.

Este tema não está bem escolhido para servir como fecho deste trio, mas não consegui encontrar outro. Lembrei em falar de como eu gostava de ver se se invertesse os papéis entre o homem e a mulher durante o primeiro contacto social. Isto é, acho que é impossível de imaginar o que aconteceria, daí ser interessante poder constatar-se, se coubesse à mulher dar o primeiro passo para conhecer o homem, não o contrário como é tradicional. Mas como não consegui desenvolver as ideias, decidi mudar de tema.

A conversa com uma amiga sobre o tema dos amores não correspondidos, fez-me então escrever este texto. O texto não está bem desenvolvido, mas por teimosia, como queria escrever três textos, decidi publicá-lo à mesma. Mas, já enjoado de tanto romantismo, a qualidade dos textos foi diminuindo. Acho que está na hora de mudar de assunto. Ufa...

Não existem mulheres feias

Há dias em que saímos à rua e vemos várias pessoas com a mesma roupa, ou parecida. Outros dias em que vemos bastantes automóveis seguidos da mesma côr e marca. Estes são os dias em que parece que as pessoas andam combinadas entre si.

O que eu pude deduzir foi que hoje é o dia em que as mulheres andam bonitas e bem vestidas. Se calhar, deve haver por aí alguma festa e eu desconheço. Devido a esta coincidência, reparei que realmente não existem mulheres feias. Por isso, é que escrevi este texto. É claro que existem mulheres que nos agradam mais do que outras, que nos apanham os olhos, mas em geral não existem mulheres feias. Não estou a exagerar, nem quero parecer um cronista da revista Maria armado em senhor doutor. O aspecto exterior conta muito, trata-se de um chamariz para o homem, embora a personalidade seja o mais importante para a longevidade de uma relação. Por isso, todas as mulheres deviam-se arranjar. Não há nada mais belo do que ver uma mulher arranjada, independentemente se vai de acordo com o gosto do homem. Todas as mulheres têm aquele toque, aquela pose que as levam automaticamente para o pedestal ao qual o homem delira e sonha. Todas.

Por isso, peço a todas as mulheres que andem bonitas, independentemente de serem casadas ou solteiras. Aquelas mulheres que se julgam que apenas têm que se cuidar quando são solteiras, e depois desleixam-se quando se casam e têm filhos, apenas digo que se modernizem. O tempo das avós austeras já passou há muito tempo. O mundo é colorido e é assim que deve ficar.

Máquina de ler pensamentos femininos

Devia-se inventar uma máquina que lê os pensamentos das mulheres. Julgo que seria a melhor ferramenta que algum homem poderia ter. De certeza que o stock esgotava-se num instante.

Quantas vezes o homem questiona-se o que o sexo oposto está a pensar? Quantas vezes o homem questiona-se se uma determinada rapariga está solteira e disponível para conhecê-lo? Porque não posso ser eu o homem? Apenas ficamos com estas perguntas na cabeça, porque jamais teremos resposta.

Se conseguissemos ler os pensamentos das mulheres, sabiamos quando deviamos nos apresentar. Desta forma, agiriamos com maior confiança e não nos retrairíamos com medo da humilhação. Por exemplo, num grupo de mulheres, onde todas são bonitas, em que desconhecemos as personalidades de cada uma, que mulher o homem escolheria para se apresentar? É como ter uma arma carregada, onde apenas falta uma bala no tambor. Rodamos o tambor e esperamos que ao disparar, o tambor tenha parado na câmara vazia.

Como se vê, é muito difícil um homem conseguir abordar uma mulher. Podiamos tentar inverter o problema, e pormo-nos no lugar da mulher. Eu faria esse esforço, mas considero que para a mulher ter alguém, basta apenas estalar o dedo. Se todas elas tivessem consciência disso, e se se criasse um código em que o estalar do dedo consiste em dizer que estou disponível para uma determinada pessoa, tenho a certeza que num simples passeio, ouviríamos vários estalidos. Não estou a ser narcisista, os estalidos podem não ser para mim. Apenas estou a dizer que o amor existe e é para ser praticado.

Acho que a mulher também tiraria vantagens da máquina. Quando um homem age com maior confiança e naturalidade, é muito mais fácil perceber quais as reais intenções do homem.

No final, todos ficávamos a ganhar. Não existe crise económica, o que existe é uma crise de namorados. Talvez a máquina diminuísse o número de solteiros.