Saturday, 7 April 2012

Sofia Vitória - Que cantora

No dia 5/4/2012 fui assistir ao concerto dado por um quarteto composto por  Sofia Vitória (Voz), Júlio Resende (Piano), João Custódio (Contrabaixo) e Bruno Pedroso (Bateria) no bar OndaJazz. Como o nome do bar indicia, foi um concerto em que tocaram músicas de Jazz, também tocaram algumas músicas brasileiras e Zeca Afonso, sempre com uma cobertura doce de Jazz.

Há muito tempo que queria ouvir Sofia Vitória cantar, e finalmente consegui. Ainda bem que fui vê-la. A voz que detém é dona de uma miríade de cores, versátil e pujante. Trata-se de uma voz pura que facilmente faz qualquer sonhador embarcar num mundo de surpresas agradáveis. Existem alturas, que parece que estão dois ou três cantores a cantarem a mesma canção alternadamente, devido às diferentes maneiras como começa cada secção. Considero-a uma cantora impressionante e merecível de um reconhecimento digno.

Urjo para que a Sofia Vitória tenha mais oportunidades de se apresentar em grandes espectáculos. Tenho pena de não ter a capacidade para promover espectáculos, porque se fosse por minha vontade, existiria muitas oportunidades para podermos vê-la a cantar.

O piano, tocado por Julio Resende, mostrou em certos momentos uma qualidade equivalente à voz da cantora. Eu bem me recordo, como certos solos me fizeram fechar os olhos e suspirar.

No geral, o quarteto apresentado é bastante bom e passei um excelente momento a ouvi-los. Fico à espera do próximo concerto em Lisboa.

Para quem não acredita no que digo, ouçam bem como Sofia Vitória canta a música Beatriz escrita por Chico Buarque.


Circuladô de fulô

"Circuladô de fulô,
ao deus ao demo dará,
que deus te guie
porque eu não posso guiá,
eviva quem já me deu,
circuladô de fulô
e ainda quem falta me dá"

Circuladô de Fulô
de Caetano Veloso


Friday, 6 April 2012

Um homem escolhe uma mulher com a mesma pontaria quando urina de pé para a sanita...

Chuvas de Abril

As chuvas de Abril chegaram,
acompanhado do chilrear dos estorninhos,
ao som do carpir dos campos de madressilva,
está na hora de se ir buscar o vinho,
levar o pão para a mesa,
comer bacalhau com batata cozida.

Ir às colmeias buscar o mel,
espalhar as folhas sobre a esteira,
abrir as janelas para entrar a luz,
arear a rotina de mais um ano,
pôr as amêndoas e nota sobre a mesa,
cumprimentar o padre, beijar a cruz.

Coscuvilhamos a vida do relativo,
comparamos com a nossa,
a felicidade que renasce sem motivo,
a esperança vã que volta a brotar,
a alegria de estarmos juntos,
e termos um família para contemplar.

A derradeira batalha

Porque é que eu não posso amar a Ana, a Sofia, a Mariana, a Anabela, a Paula, a Teresa, a Susana, se todas elas são belas. Até a mulher mais feia, não deixa de ser bela. Bela Ana, bela Sofia, bela o resto, bela a peixeira que mostra uma virilidade masculina, bela a jardineira que mostra sentimentos de protecção, bela a vendedora de chás que mostra a preocupação pelos outros, bela a naturista que se identifica com a mãe natureza.

A beleza nasce com a mulher, nasce dentro do ventre da mãe. Ninguém sabe em que ano a beleza nasceu, mas ela procria-se silenciosamente por cada menina que nasce.

Já estou cansado do elogio à beleza por si só, sem qualquer contexto, mas eu preciso vê-la diariamente. Sem ela, eu estava louco, entediado, com tremuras de frio, e ataques de pânico. A beleza é um elemento vital para mim, tal como dormir. O dia em que não reconheça mais a beleza, é como dizer que nunca mais dormi, e lentamente morrerei.

Os supostos intelectuais que cruzam a pernas e contorcem-se nas cadeiras, distinguem a beleza da estética. A mulher não é estética, é cruelmente bela, tal como a natureza.  Quem não tem desejos selvagens de ser envolvido num turbilhão de beleza. Que belas pernas, que belas costas, que bela face, que belo cú, todas estas descrições selvagens vêm dos seres mais selvagens e rudes que existem, e rapidamente poluem a mente agressiva e guerreira do homem.

Nestes tempos modernos, somos Vikings sedentos de mulher, sedentos de beleza. Já não se conquista países. A derradeira batalha é conquistar uma mulher.






À plena voz

De uma voz colorida e solta como uma criança,
salta à corda por entre riscas do arco-íris,
é demasiada força numa só mão,
não estava pronto p'ra ouvir.
Suave, belo e completo.
Não existe mais nada a pedir,
a beleza oferece-se à contemplação,
só tenho pena de não a ter ao pé de mim,
para poder ouvir quando quero em suave abastança.

Monday, 2 April 2012

Amanhã

Quando vou falar contigo?
amanhã, amanhã.
Quando me torno teu amigo?
amanhã, amanhã.
Quando vou ouvir a tua voz?
amanhã, amanhã.
Quando de mim nasce um nós?
amanhã, amanhã.
Quando te vou conhecer?
amanhã, amanhã.
Quando te vou ver ao amanhecer?
amanhã, amanhã.
Quando vais dizer que sim?
- Quando o sol acordar.
amanhã, amanhã.
Se me convidasses para sair,
eu diria hoje,
mas o sonho não se realiza,
não sei quando vou sorrir,
talvez amanhã, amanhã.