Tu, mulher, ser camaleão. Tu consegues ser várias personagens ao mesmo tempo. Mulher-mãe, mulher-esposa, mulher-filha, mulher-família, mulher-irmã, mulher-trabalhadora, mulher-consagrada e apenas mulher. Obrigado por existires.
Foste tu que trouxeste a beleza, o trabalho, o amor, a compaixão e a dedicação. És tu que consegues curar os homens das feridas de guerra. Tu tens o poder de regenerar a humanidade, o teu coração é um manancial de sabedoria, o teu ventre é a fonte da vida.
Mulher, perdoa todos os homens. Tentamos prestar-te o devido respeito, mas é difícil estar à tua altura. Apenas resta-nos tentar acompanhar-te.
A mulher é a razão do homem existir, do homem trabalhar, do homem pensar e tentar sentir.
Desde a Eva, passando por Maria e Madalena, até ao presente, o sexo feminino é a referência de toda a humanidade. És o elemento que faz o dia nascer, és a força que faz a terra girar.
Vim do ventre da minha mãe, mulher madura que me criou. Agora desejo uma mulher madura para continuar o ciclo.
Por favor, não te deixes enganar pela nossa estupidez. Todos os homens são seres que se perderam ao saírem do colo da mãe. Mulher, nunca percas a delicadeza, nunca páres de olhar-te ao espelho, nunca páres de cuidar-te. Não te queiras transformar-te em homem. Tu és um ser insubstituível e fazes imensa falta. Tu és linda a sorrir. Não te rendas ao consumismo e à vida fútil, tu és deveras superior a estes comportamentos. Tu és muito importante para nós.
Nunca me cansarei de dizer o teu nome. Mostra-me que não estou enganado.
Tuesday, 4 March 2008
Monday, 3 March 2008
Primavera entre coelhos
Os coelhos estavam a aproveitar o tempo primaveril - comportamento aprendido desde a barriga da mãe, quando o dono chega e diz:
- Mas que vem a ser isto! - enquanto aponta para o sinal. Este sinal diz que o coelho não pode estar atrás da coelha.
Os dois coelhos olham pasmados para o sinal e passados momentos, o coelho vira a parceira ao contrário e continuam o acto natural.
- Mas que vem a ser isto! - enquanto aponta para o sinal. Este sinal diz que o coelho não pode estar atrás da coelha.
Os dois coelhos olham pasmados para o sinal e passados momentos, o coelho vira a parceira ao contrário e continuam o acto natural.
Amor entre gorilas
O gorila Gingão, com a tanga de tigre, sobe a palmeira até à casa da Matumbina. Com côcos nas mãos, enche o peito e grita:
- Querida Matumbina!
- Diz-me amor - replica a sua amada.
- Trago-te côcos. Foram recolhidos do coqueiro mais alto da selva.
- Como és tão forte - Matumbina derrete-se com a virilidade do seu amor.
Gingão flecte os braços de forma máscula para mostrar os grandes montes de força, ao mesmo tempo que regozija o grande feito.
- Vou-te preparar uma água de côco - diz Matumbina.
Gingão sente que tem a amada sobre o seu círculo de domínio e sente-se cada vez mais forte.
- Querida Matumbina!
- Diz-me amor - replica a sua amada.
- Trago-te côcos. Foram recolhidos do coqueiro mais alto da selva.
- Como és tão forte - Matumbina derrete-se com a virilidade do seu amor.
Gingão flecte os braços de forma máscula para mostrar os grandes montes de força, ao mesmo tempo que regozija o grande feito.
- Vou-te preparar uma água de côco - diz Matumbina.
Gingão sente que tem a amada sobre o seu círculo de domínio e sente-se cada vez mais forte.
Frasco de perfume
Rosa, perfume, cheiro, estou sentado à beira da cómoda. Com dois dedos tiro a tampa do frasco de cristal, boémio como o meu espírito, mas mais activo que a minha personalidade. É de certeza perfume digno de grande nobreza. Cheiro a ponta da tampa e sinto pequenos fios ondulantes a saracotearem-se pelo espaço, deixando partículas deliciosas pelo caminho.
Trata-se de um perfume subtil, em que se coloca duas gotas nos pulsos da mulher, encosta-se ao nariz e inspira-se com intensidade, enchendo os pulmões de sensualidade e relaxamento.
Eu tento ser feliz com a realidade, mas a imaginação consegue ser mais forte do que eu. Ela faz-me refém da vida e está constantemente a intrometer-se no caminho. Umas vezes voluntariamente, outras vez obrigada por terceiros. Eu não resisto à beleza. Trata-se da maior tentação existente.
Imagino-te à minha frente, sentada sobre a mesma cómoda a sacudires os cabelos e, logo de seguida, a afagá-los com uma escova branca, transmitindo-me paz.
Sentas-te na beira da cama, eu sento-me ao piano e começo a tocar uma melodia suave. Tento descrever pelas teclas o cheiro sublime que exalas. Cada sequência de harpejos tocados em pianíssimo corresponde a uma centelha de perfume.
Mas tu não estás ao pé de mim, estás num mundo inantingível. Ainda não nasci com o poder de criar almas. Fecho o frasco porque tenho que ir trabalhar.
Trata-se de um perfume subtil, em que se coloca duas gotas nos pulsos da mulher, encosta-se ao nariz e inspira-se com intensidade, enchendo os pulmões de sensualidade e relaxamento.
Eu tento ser feliz com a realidade, mas a imaginação consegue ser mais forte do que eu. Ela faz-me refém da vida e está constantemente a intrometer-se no caminho. Umas vezes voluntariamente, outras vez obrigada por terceiros. Eu não resisto à beleza. Trata-se da maior tentação existente.
Imagino-te à minha frente, sentada sobre a mesma cómoda a sacudires os cabelos e, logo de seguida, a afagá-los com uma escova branca, transmitindo-me paz.
Sentas-te na beira da cama, eu sento-me ao piano e começo a tocar uma melodia suave. Tento descrever pelas teclas o cheiro sublime que exalas. Cada sequência de harpejos tocados em pianíssimo corresponde a uma centelha de perfume.
Mas tu não estás ao pé de mim, estás num mundo inantingível. Ainda não nasci com o poder de criar almas. Fecho o frasco porque tenho que ir trabalhar.
Sunday, 2 March 2008
A velhice
Estou tão magro. Os meus pés estão cheios de manchas castanhas. Parecem borrões feitos com lixívia. Mal consigo olhar para mim, sou uma zebra pintada de doenças e nódoas negras. Os dentes saltam do meu interior. O meu aspecto cadavérico, seco, mostra como estou cada vez mais próximo da terra e das larvas.
Admito que fui cobarde por nunca ter-me entregado à natureza, mas a sociedade e a família não me deixaram. Já próximo da entrada deste novo mundo, prestes a apodrecer e a gretar, espero que algo mais esperançoso me traga serenidade ao coração e me ensine a ser um sublime revolucionário.
Admito que fui cobarde por nunca ter-me entregado à natureza, mas a sociedade e a família não me deixaram. Já próximo da entrada deste novo mundo, prestes a apodrecer e a gretar, espero que algo mais esperançoso me traga serenidade ao coração e me ensine a ser um sublime revolucionário.
Quarto escuro, quarto triste.
Estou sózinho escondido neste quarto escuro,
sinto falta de uns olhos onde possa imaginar.
Estou sózinho a passear num preto vazio,
sinto falta de uma alma que me possa acompanhar.
Estou sózinho a encontrar o caminho,
rezo por encontrar forças por detrás dos armários,
como traças e teias de aranhas sem sentido,
gasto as tábua do chão por andar sempre em círculos.
Estou sózinho porque ninguém me vê,
não consigo vender o reflexo dos meus sonhos
a um único ser com ouvidos.
Existem mais de mil quartos iguais ao meu,
cheio de anónimos que morrem pelo caminho,
espero ter um fim glorificado pelos sentidos.
sinto falta de uns olhos onde possa imaginar.
Estou sózinho a passear num preto vazio,
sinto falta de uma alma que me possa acompanhar.
Estou sózinho a encontrar o caminho,
rezo por encontrar forças por detrás dos armários,
como traças e teias de aranhas sem sentido,
gasto as tábua do chão por andar sempre em círculos.
Estou sózinho porque ninguém me vê,
não consigo vender o reflexo dos meus sonhos
a um único ser com ouvidos.
Existem mais de mil quartos iguais ao meu,
cheio de anónimos que morrem pelo caminho,
espero ter um fim glorificado pelos sentidos.
A praia
Terra, gravilha, areia e mar,
fui à praia num fim de um dia de estio,
após acordar de uma sesta com cheiro a palha,
pelo chão seco e quente passeei o espírito infantil.
Caminhei quilómetros até ao destino,
percorri pausadamente até à alegria,
fiz uma história de sonhos pelo caminho,
guardei-os na imaginação reservada para este dia.
Tomei banho num mar acabado de ser usado,
onde guarda os raios de sol na espuma,
mergulhei por debaixo de um bater ritmado.
Levantava-me e procurava o horizonte,
a minha linha guia para continuar,
Espuma, sal e sonhos, em vão, dissolvidos.
fui à praia num fim de um dia de estio,
após acordar de uma sesta com cheiro a palha,
pelo chão seco e quente passeei o espírito infantil.
Caminhei quilómetros até ao destino,
percorri pausadamente até à alegria,
fiz uma história de sonhos pelo caminho,
guardei-os na imaginação reservada para este dia.
Tomei banho num mar acabado de ser usado,
onde guarda os raios de sol na espuma,
mergulhei por debaixo de um bater ritmado.
Levantava-me e procurava o horizonte,
a minha linha guia para continuar,
Espuma, sal e sonhos, em vão, dissolvidos.
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