mercredi 28 septembre 2011

A dôr da ausência

A dôr da ausência de quem ama o que não pode alcançar,
é como alguém amordaçado e preso pela censura,
é como estar a chamar pelo amor que nunca passa,
por detrás das grades do encarceramento da loucura.

É como ter todo o sucesso que se consegue imaginar,
e mesmo assim falta a essência de onde brota tudo,
o vazio há-de sempre ecoar do coração para a vida,
porque não há ninguém para partilhar o mundo.

E pergunta-se se é possível amar mais alguém,
e libertar o coração de todo o silêncio mudo,
atravessar os obstáculos como um soldado faz,
e vencer a guerra sem ter ninguém que nos ajude.

Eu queria levantar a névoa desta dúvida,
mas espero até ao último dia que alguém me clarifique,
porque amar alguém e não ser amado,
é a pior dor que existe.

jeudi 15 septembre 2011

A Madrugada

A madrugada,
quando chega a casa
na companhia dos noctívagos,
dos bêbados, dos jovens,
e quando parte
com os trabalhadores,
os que não têm sorte,
os que não sentem.
A mesma janela iluminada
abraça duas vidas,
a de quem está preso,
a de quem se julga livre.
Dos que sonham todo o dia
com olheiras de nada,
os que desejam
que a vida renasça,
nem que seja
com a ajuda da lotaria.

A madrugada
é a intersecção
do início e do fim,
quando as mãos tocam-se,
num segundo rápido.
As pessoas vivem enganadas,
alegremente desinibidas nos cantos,
cheios de cheiros depravados,
as vergonhas ficaram em casa
a dormir com a rotina diária.
Para os que não repararam
que o ciclo acabou,
os que ficaram já foram notificados,
e assim perdeu-se o contacto,
de quem desapareceu,
inesperado,
porque a noite tem um fim,
e na noite ficou inacabado.

mercredi 7 septembre 2011

Boa-Noite Lisboa

Inesperadamente fui apanhado,
por uma cidade que nunca me deu bom coito,
Lisboa aproximou-se de mim cantarolando,
desejando-me uma boa-noite.