lundi 27 décembre 2010

Às vezes viver é penoso, mas quando uma coisa boa acontece, graças a Deus que somos suficientemente esquecidos para lembrarmos do caminho difícil que tivemos.
Pelas curvas da digestão,
do problema até à solução,
muito se passa então,
se calhar a culpa é do feijão.
Nunca senti as palavras tão próximas do meu aparelho digestivo. Nunca tinha percebido como elas me podiam salvar de um indigestão.
Eu não tenho medo do conhecimento, tenho é medo da ignorância, embora preferisse não sabê-lo.

lundi 20 décembre 2010

jeudi 16 décembre 2010

Moeda cunhada

Dantes eu tinha medo em falar,
dantes eu estendia a mão,
agora tenho medo de estar calado,
agora escondo-me a atrás da televisão.

A minha imagem é resultado do descontrolo,
do que faço e a retribuição do que fiz,
algo que não se limita a um controlo remoto
para segurar as pontas soltas que me constitui.

Algo mais vasto que não alcanço,
nem ninguém alcança por si [tempos modernos],
só a vida que tira ferozmente o coração,
poderá da injustiça fazer alguém feliz.

Por isso todos os risos e entendimentos,
são apenas uma ilusão numa mão fechada,
o verdadeiro sorriso que existe realmente,
é o revés da coroa da cara da minha moeda cunhada.

lundi 6 décembre 2010

Bom dia

Faz um pedido à estrela brilhante,
um olho luminoso no céu escuro,
uma luz suave e radiante,
que brilha e faz girar o mundo.

Os teus olhos vindo dos sete mares,
que regam a terra e limpam a nação,
campos verdes de tamanhos distantes
que protegem os cantos do meu coração.

A paz estende-se como um manto branco,
sobre a cabeça dos senhores da guerra,
faz os olhos abrirem-se de repente,
faz os mortos brotarem da terra.

Deixeremos os donos da guerra
lutarem entre si num campo árido,
e ficaremos na lareira com os filhos,
passaremos o Natal abraçados.

O mar, a terra, os animais,
o constante movimento das migrações,
o amor nos corações das mães,
por ver um filho pronto para as emoções.

Dentro de cada um de nós,
deixaremos um contributo no mundo,
uniremos as mãos, insurgiremos o uno.
respeitaremos a outra voz.

A paz poisará na neve, na areia,
entregaremo-nos ao trabalho,
calaremos as buzinas dos carros,
e diremos a quem passa, bom dia.

samedi 27 novembre 2010

Serra de palavras

Estas serras de palavras
que se montam na cabeça
onde a aurora transposta
trespassa sem que nada a impeça.

Monta-se a glória do medo,
porque o pior inimigo sou eu,
levanto a espada em riste,
para cima até ao céu.

À procura da consciencialização,
de algo que virou mania dos deuses
que me afoga numa contradição
que leva os dias e me leva os meses.

Estado contrário de supressão,
estado revolto na noite estéril,
estrela-anã em plena criação
que me fez numa estátua éreo.

Sabor a metal na minha língua,
liberdade que custa a vida,
Califórnia na consciência,
e lá ficar a consumir cocaína.

Cravado por outro metal,
espetado por metal,
consumido por metal,
manchado por résteas de metal.

Quero art-déco em São Francisco,
quero ficar debaixo da ombreira,
sentir os cheiros do dia,
do deserto que enche as veias.

E no final rodeado de cactos,
perdido em pleno Arizona,
Shangri-la e o que me resta,
liberdade deitado à sombra.

Contra a pedra que é a palavra
para que ela se desmanche,
porque a mente age mais depressa
do que as vezes que se pretende.

E de serra após serra,
desmancho a cordilheira,
das pedras que coloco na terra,
não sei o que faça, talvez areia.

dimanche 14 novembre 2010

Acho graça que é normal dizer-se que os políticos são corruptos e ladrões, mas quem ganha as eleições são sempre os mesmos ladrões e corruptos.

Para aqueles que dizem que o país só vai com maioria, eu digo que o país só vai se tiver uma assembleia com pintas roxas. Se não sabem governar-se com o que têm, e se acham que o estado do país é pela crise económica internacional, não ocupem lugares de governo, porque pelo visto não sabem governar o país. Um país tem que ser governado em todas as situações. Eu também sei governar um país com o dinheiro dos outros, quando não tenho que prestar contas e não sou responsabilizado pelos meus actos.

Também quero lembrar a todos os governantes, secretários de estado, etc..., que também são cidadãos portugueses. É que normalmente, quando o político fala numa conferência de imprensa usa muito a frase, "Os portugueses têm que compreender...". Acho que deve ser o efeito narcisístico que ataca os políticos no momento em que têm que falar com os jornalistas.

Também quero dizer a todos os deputados que discursos de "O meu partido bem avisou...", "nós é que nos preocupamos com o país", etc..., são discursos que não ajudam o país a crescer. Independetemente do ponto de vista político, o bem-estar comum de todos os cidadãos portugueses é apartidário.

E no final do mês, que os ordenados dos deputados e governantes seja pago pelo partido e não pelos cidadãos. Cada um dessas pessoas também não me paga o meu ordenado.

samedi 13 novembre 2010

Everybody here wants you

Encontro-me nesta cidade gigante,
mas a minha alma não pertence aqui,
campos agrícolas nos limites
da turbulência do dia-a-dia.

No passeio oposto aos meus problemas,
ando desconfiado, olhando de lado,
quero distância das passadeiras,
nem que qualquer carro se ponha à frente,
simplesmente não páro.

Longas linhas de luz em que me perco,
um movimento obrigatório e constante,
uma luta constante para parecer limpo,
mas o rio está cheio de correntes terríveis
onde qualquer um se perde.

Que cidade estranha é esta,
escura e com muitas sombras,
um contacto que não se sabe como acaba,
um toque suficiente para desviar o rumo
que pode terminar em sucesso positivo.

O que julgamos liberdade,
é na realidade uma prisão colorida,
que nos traz bem-estar para o dia,
mas no final a factura é que dita,
o verdadeiro preço merecido.

jeudi 4 novembre 2010

Heroína

O corpo procura sobreviver ao vício,
mas o corpo precisa do vício para viver,
já ninguém gosta do vicío que tem,
mas nem ele, nem o corpo o consegue perder.

O cinto de segurança soltou-se de repente,
o fundo já não segura o que devia segurar,
só um copo de whisky o consegue manter à tona,
arranha os dedos na mesa porque nada sente.

Julgava-se grande e não temia o perigo,
nada o preenchia e sentia-se omnipresente,
em qualquer lado, por qualquer ângulo,
sentia-se seguro, mas soltaram a serpente.

"Eras a minha heroína, apenas só para mim,
a minha glória que me entendia,
como alguém tão pequeno me ouvia tão bem,
agora é ela que exige de mim."

Agora é um constante bater à porta,
abre-a porque sabe que uma mão dará o que quer,
não o ouve mas o faz acalmar no tempo e agora
o corpo é que decide até quando tem que viver.

vendredi 22 octobre 2010

Tortura

Ploc... O segundo trespassa a mão,
a testa expande-se quando, ploc...
o tempo saltou para o outro tempo,
tudo criado por um profundo corte.

As mãos agrilhoadas e em haste,
as omoplatas viradas do avesso,
e a gota ataca violentamente,
quando cai num constante tempo.

As pernas despegadas do teu corpo,
os nervos descarregam sobre a mente,
o peito comprime-se, destróis os ligamentos,
atinges o estado de dormência rapidamente.

O pânico sentou-se à tua beira,
o eterno desconhecido em silêncio,
o interminável que termina na neve,
que não sabes se trará um destino em breve.

lundi 18 octobre 2010

Viver deixa-me morto

A vida não tem segredos,
tem histórias por contar,
dias que foram esquecidos,
lutas que ficaram por lutar.

Silêncios que procuram esconder
traições atiradas à rua,
um movimento que não se quer perder,
sol após sol, lua após lua.

E no fim só nos resta o amor,
o último reduto de qualquer ser,
o que sobra despido de encenações,
um homem entregue à sua mulher.

vendredi 15 octobre 2010

Desculpa, mas não morri.

Conduzi com a côr castanha ao meu lado,
de mãos postas no volante segui o que quis,
perguntei-te o que querias de mim,
e a minha mão nunca pôs os pontos nos is.

Travei, acelerei, desviei-me, prioritizei,
passaram-me à frente, atropelaram-me
e nunca pararam para ver como fiquei ferido,
seguiram como nunca se tivessem arrependido.

Talvez vivas de proferir ignomínias,
talvez sejas ignóbil e no teu propósito
fui mais um na tua frente, animal convencido,
que nunca me quis desviar de propósito.

mardi 12 octobre 2010

Critíca à crise económica mundial.

Como é bonito ver a criança faminta a olhar para a bola de futebol. Afinal, não somos todos crianças?

dimanche 26 septembre 2010

Tenho medo

Tenho medo das frustrações,
tenho medo de todas as ilusões.

Tenho medo de perder o amor,
tenho medo que me cause muita dôr.

Tenho medo que as minhas canções
não passem nas televisões.

Tenho medo de não reencontrar o caminho,
tenho medo de não sair deste remoinho.

Tenho medo que os meus sonhos
apenas me deixem tristonho.

Tenho medo dos prazos,
tenho medo de mostrar o que faço.

Tenho medo das ilusões,
vou voltar a dormir nestes cartões.

samedi 25 septembre 2010

O que seríamos?

De que tamanho é o nada?
Pequeno, médio, grande?
É um nada cheio de verde, extenso
e que se perde no horizonte.

E o que acontece ao amor?
O amor está inerente ao humano,
e o tempo passado é para construir,
para conseguirmos ultrapassar-nos.

É um plano ambicioso?
É claro, só que o que éramos
se não fossemos ambiciosos.
Seríamos seres sequioso.

Quero o que não quero

Como às vezes me custa que o pêlo se desponte do peito
e que o rio se encha, transborde e trace um caminho a eito
uma estrada bem definida e pela paisagem mais bonita,
aquela que eu acho que me contradiga e que me excogita.

Por muito ouro que me dêem, se não brilhar como eu quero, não quero,
porque o ouro tem que ter aquela côr que os meus olhos se interessem.
Como posso apreciar algo posto à minha frente se não a vejo,
se o que sinto, o que possa pensar e que considere nela não me revejo.

O que podia lograr torna-se em logro, como um lugar que perde o lugar,
uma ave que continua a voar e não deixa rasto e esqueça-se do caminho voado,
Do sonho que sonhe e que acabe por não me excitar como sonhava,
por muita espontaneidade que queira se torne numa coisa premeditada.

Como eu quero uma aventura, mas que me tragam o catálogo das viagens,
como quero sentir que estou vivo nos parâmetros por mim traçados,
como eu quero o desconhecido, se do quintal que vivo nunca me desmarco,
como eu quero o que não quero, porque do que quero não tiro vantagens
e dele não me separo.

jeudi 16 septembre 2010

Mais um dia

São histórias que tenho para contar,
numa tarde de sábado.
São horas à beira-mar.

Um punhado de estrelas do mar,
dos cinco sentidos apontados,
que não chegam a algum lado.

Magnânima, a estrela que jaz no céu,
que nunca deixa de olhar
para afastar quem traz o que não é meu.

São histórias, são histórias, são.
E as horas, e as horas, vão.

Água salgada do sal de cozinha,
da manhã lavada com lexívia,
seca, morna e límpida.

Um pijama às flores trazes vestido,
a casa simples decide iluminar-se,
pelas tuas pernas serem tão lindas.

São simples, esculpidas e normais,
o relógio toca a horas especiais,
os pássaros chilream bestiais.

São memórias, são memórias, são.
São horas, são horas da oração.

jeudi 9 septembre 2010

Milagre

Preciso de um milagre,
de um toque suave e doce
que ultrapasse o acre,
desta perda de fluidez.

Aonde está a tua voz,
aquela que me iria guiar,
aonde viveriamos juntos,
aonde te ouviria a cantar.

São desejos que não se cumprem,
ilusões perdidas no horizonte,
são sempre campos no meio do nada,
por muitas moedas que atire à fonte.

Preciso de um Cadillac,
de cor branca e com barbatanas,
um carro que viaje pela magia,
cheio de contos e fadas.

Pode ter um dado no espelho,
o que interessa é a magia,
o campo que nos protege
de todo mal e tirania.

Guiava por uma estrada enorme,
apanhava uma recta de 300 Kms,
tão larga como os ponteiros opostos,
tão extensa como os teus olhos.

E não parava, só rolava, rolava,
percorria uma eterna fita de Moebius,
preta, listrada de branco, código de barras
aonde corpos dormiriam eternamente crus.

vendredi 27 août 2010

Uma guitarra portuguesa deve sempre ficar ao lado do coração, mais precisamente ao lado direito. Uma guitarra portuguesa é o segundo coração mas que não leva sangue,
é por isso que não se encontra dentro de nós. Este instrumento é o objecto mais lindo que existe ao cimo da terra, e isto dito por alguém que adora o piano. Comparo esta guitarra como uma lâmpada mágica, que cada vez que é tocada, um aladino mostra-se e cumpre invisivelmente todos os desejos de quem tem bom coração.

vendredi 6 août 2010

Dá-se um beijo no diabo e ele torna-se Deus.

"Eu não gosto de ninguém, e tenho medo das pessoas", é assim que Bret Easton Ellis termina o seu último livro, Imperial Bedrooms. E, no início, diz: "Fizeram um filme sobre nós". Recuperando, de forma brilhante, as personagens de Menos que Zero, o livro que o tornou um dos escritores mais marcantes da sua geração. Por isso este é um dos mais esperados livros da literatura americana contemporânea e uma aposta fortíssima da editora.

Bret Easton Ellis tornou-se famoso pelo seu hiper-realismo cru, que expôs a nu a edificada vida universitária dos jovens americanos. Agora as personagens crescem, tornam-se importantes, mas não melhoram. A sua deformação psicológica torna-as dementes. Atenção porque a crueza das personagens de Easton Ellis vai muito além de um retrato de uma sociedade perversa em crise de valores, como nós gostamos de ver a América. São seres infra-humanos, reveladoras de uma apatia assustadora, a ausência total de sentimentos, que nem sequer condiz com os padrões psicóticos das sociedades desenraizadas. O que Easton Ellis violentamente sugere é que há um potencial serial killer em cada um de nós, não de forma tão evidente como em Psicopata Americano, mas de modo mais subtil e menos estereotipado.

Também por isso é brilhante o gancho promocional que a editora fez on-line . Promoveu uma míni-aplicação em que nos coloca no papel de um produtor que está a fazer um casting para o papel feminino no filme. Temos o poder e vale tudo. Podemos embebedar, drogar, despir, fazer dançar e até ter relações sexuais com a candidata. Ela sujeita-se às mais vis humilhações em nome de um sonho de fama. Mas, na verdade, nós é que somos encostados à parede, encurralados pelos nossos demónios. No final, aparece um quadro com a percentagem de diabo que nos corresponde. Mas a perversão, a venda da alma, começa antes, quando decidimos ir a jogo.

No meio deste jogo de palavra e interpretações verosímeis, há uma parte que ninguém diz para não perder o negócio. O amor é eterno. Dá-se um beijo no diabo e ele torna-se em Deus.

Todos nós temos o Diabo dentro de nós, porque todos nós podemos nos perder quando somos mal tratados. Faz parte de nós e de qualquer vida. No entanto nunca devemos esquecer das consequências dos actos que estamos a fazer a alguém com as nossas acções. E as vezes em que desejamos mal a alguém, mesmo que seja merecido, o problema estará sempre em nós.

vendredi 30 juillet 2010

Para ser possível tem que existir

O meu amigo que esteve sempre no silêncio, quieto e fora da vista de todos, finalmente falou. De uma forma enigmática, as suas palavras chegaram até mim por intermédio das acções de terceiros. Ele disse-me que as coisas iam mudar, que o amor é a base da vida e do nosso dia-a-dia, e a vida é aquilo indefinido que nos pertence.

O meu amigo nunca dirigiu-me a palavra mas insinuou-se várias vezes que está aqui para me ajudar. O meu amigo disse-me para aguardar um bocado, nem um minuto a mais, nem um minutos a menos - o tempo certo. O meu amigo disse-me que as coisas são o que são, nem mais, nem menos, e apenas devemos aproveitar o que nos rodeia e ao mesmo tempo devemos seleccionar o que gostamos mais. O meu amigo disse-me que os problemas são trazidos pelo vento, e vêm e vão. Também me disse que ao conseguirmos soluccionar os problemas estamos a transformar a nossa face e a descobrir outra parte do universo que nunca iremos conseguir descrever com exactidão. Relativamente ao problemas que nunca se resolvem, devemos saber perdoar (Eu disse saber perdoar e não pedir desculpas).

O meu amigo disse-me que a vida só se joga uma vez, e que eu devo jogá-la sabiamente e com amor. O meu amigo disse-me que sete anos depois, o que plantaste será colhido por ti. O que plantares diariamente será recolhido diariamente.

O meu amigo disse-me para apreciar a vida e entender como ela é estranha. No final ela é sempre bonita.

O meu amigo chama-se Esperança.

Dirty Boots for you.

lundi 12 juillet 2010

Esquecimento

Oxalá meu amor, que a vida seja perfeição
e a água que bebes fertilize-se
e leve do teu ventre um sopro ao teu coração.

Pedras soltas pelas calçadas de Alfama,
nos ecos das vozes entre os prédios,
são ruas apertadas e cobertas de muita fama.

Haja o que houver a tua voz não falha,
a minha é que falta por nada ter com que contar,
nos restos queimados desta mortalha.

A mesma que me há-de enrolar e embrulhar-me
e enterrar-me no canto deste jardim,
de modo a que ninguém se lembre mais de mim.

mercredi 7 juillet 2010

Aonde estavas no 35 de Abril?

Nessa altura, os fantasmas já tinham saído da cona da tua mãe. Agora, eles puxam-te novamente para lá, só que em vez de ser a tua mãe, acabam nas mulheres com que te deitas. Com todas as putas que dormes diariamente e procuras apoio. Aquele apoio que nunca tiveste quando perdeste o amor da tua vida. Vai fodê-las, vai. Fode-as sob as estrelas, sob as árvores, na boca de incêndio, em Vizela, em Ponte da Barca, em Setúbal, aonde quiseres, porque não irás sair do mesmo sítio e acabarás com os bolsos vazios. E depois o que te resta? A morte. A morte por teres perdido quem amas.

Ecos na catedral - Madredeus

Os teus olhos são vitrais
Que mudam de cor com o céu
E quando sorriem, iguais...
E quando sorriem, iguais...
Quem muda de cor sou eu

Tomara teus olhos vissem
O amor que trago por ti
Nem o entardecer me acalma...
Nem o entardecer me acalma...
Na ânsia de te ter aqui

E o teu perfume, o incenso
Os ecos de uma oração
Misturam-se num esboço imenso
Afogam-se na solidão

Fui para um templo de pedra
Escolhi um recanto isolado
Que me faça esquecer tua voz...
Esquecer-me da tua voz...
Que me faça acordar do passado

Escondida em sítio sagrado
E não me apetece o perdão
Devo estar enfeitiçada
Náufrago do coração

E o teu perfume, o incenso
Os ecos de uma oração
Misturam-se num esboço imenso
Afogam-se na solidão

Não sei se perdoo o meu fado
Não sei se consigo enfim
Um dia esquecer que teus olhos
Sorriem, mas não para mim.

Mentira e verdade

É preto,
é branco,
é difícil,
é facil,
carrega-nos,
eleva-nos,
é inveja,
é altruísta,
é solidão,
é companhia,
é vício,
é amor,
é arrogante,
é compreensivo,
é ignorante,
é inteligente,
é convencido,
é humilde,
é iludido,
é rendido,
é negação,
é aceitação,
é miséria,
é felicidade,
definham,
e morrem.

samedi 3 juillet 2010

Amo-te

Cada vez que penso em ti,
sento-me debaixo da ponte,
penso no Tejo e nos muros
que se fecharam na noite.

Sinto que perdi o andar
num acidente involuntário,
perdi o emprego e o riso,
perdi-me nas margens do rio.

Quantas vezes quis saltar,
sabendo que nunca mais vou-te ver,
nunca mais vou ouvir a tua voz
e terei as tuas mãos sobre o meu ser.

Eu sei que não te preocupas,
e tens os olhos noutro sítio,
mas não encontro outro lugar,
aonde consiga enganar o feitiço.

Não vou amar mais ninguém,
por muito disfarce que vista,
mesmo que esteja com alguém
a lágrima romântica é para ti.

Talvez nos amemos noutra vida,
noutra vida guardada no céu,
só espero que o dia venha
o mais depressa possível.

O nevoeiro chegou, cinzento e interminável.

vendredi 18 juin 2010

No meio de tantos assassinatos e tantos crimes contra a humanidade feito todos os dias, praticados por nós, ainda há uns que resistem a tudo. Há uns cães que jamais se tornarão cruéis, e a compaixão perdurará tanto como as pedras. Esse tipo de pessoas são aquelas que deixam a alegria cair dos bolsos quando caminham pela rua a olharem para o céu. Todos os caracterizam como uns miseráveis que vivem presos nos ideais, sem dinheiro no bolso e que deambulam pela rua o dia inteiro. Não deixa de ser verdade que são as pessoas mais facilmente exploráveis por outros, mas também são as primeiras pessoas a nunca deixarem de sorrir. São os "concierges" que guardam as portas da alegria.

De mim não sobra nada

Entre o desemprego e a submissão,
eu quero o caminho do meio,
o caminho que me leve longe,
e a história repete-se.
Mas esquecem-se que sou doido,
que sou capaz de rasgar com uma faca,
e deixar o arco-íris sair do saco,
e deixá-lo perder-se no chão.
Querem testar a minha personalidade,
pois só vos posso mostrar uma vez,
e nunca mais irei ver a vossa cara
se confirmar a minha coragem.
Não vou embarcar já nesta viagem,
até encontrar novamente a minha morada,
e de mim gerarem três ou mais,
a morte não irá esconder a minha idade.
Deixem a estrela brilhar antes dela morrer,
e pelo menos poder passar um bocado de bondade
a alguém que tenha a capacidade de salvar o mundo
e conseguir atingir o estado de liberdade.
Os criminosos descansam ao fim-de-semana,
as vítimas descansam ao fim-de-semana,
uns ajustam a vida ao país,
outros ajustam o país à sua vida.
Enquanto houver uma guitarra portuguesa,
Portugal jamais irá desaparecer,
o segredo de sermos o que somos todos os dias,
provém das cordas tocadas ao alvorecer.

mardi 8 juin 2010

Bonecas de porcelana

Que bonecas de porcelana,
eu falo com muito espanto,
tão bonitas, tão exóticas,
tão perfeitas num só sítio.
Que surpresa que são,
até me faz suar as estopinhas,
por serem tão curvas,
tão subliminarmente lindas.
São a extravagância poupada,
só dei 30 euros por elas,
mas levam-me a sonhos ilimitados,
a caminhos esotéricos e misteriosos.
Livre é a palavra que transmitem,
mesmo no silêncio sei que dão
a liberdade extemporânea,
mas curta e profunda.
Vou poisá-las neste móvel,
porque posso olhar para elas
e cada vez que quiser ser livre,
vou buscá-las e segurá-las.
Só espero que isto
não se torne num vício,
e que a liberdade consiga
sem este par de meninas.

vendredi 4 juin 2010

The truth is that love does not hurt but it is the falling out of love or not having love that really hurts. And the higher you are, such as in the heights of passion or the tower of a long-term love, the harder the fall.

mardi 1 juin 2010

Schönbrunn

Se calhar fomos feitos para estar no papel,
no ar, no eterno ar que respiramos,
e apenas comunicarmos por intenções
e sonhos de querermos nos encontrar.

Nestas pedrinhas molhadas deste jardim,
guardado por um conjunto de mulheres aladas,
que protegem-nos da realidade a preto e branco,
e que nos indica que ainda podemos sonhar.

Há esperança, sempre houve,
por muito que nos queiram negar,
há coisas que nunca acabam,
e uma delas é o amor que está no ar.

samedi 22 mai 2010

Nepal

Meu pássaro da beleza
que aterras na superfície
lisa como toda a certeza
do calor que encendeia.
Razoabilidade, não a vejo,
como não vejo um céu escuro,
meia ponte que não termina
no sânscrito desta aldeia.

jeudi 13 mai 2010

Bala mágica

Os humanos são sádicos,
não há nada a contar sobre eles,
adoram matarem-se uns aos outros,
ficam felizes ao verem os outros sofrerem.

Tomei o caminho da privação,
parece ser o mais sensato a tomar,
quando desconfiamos do próximo,
é no silêncio que devo ficar.

Deram 2000 mil homens para a guerra,
fecharam a porta a 6000 mil familiares,
por um, pagaram os milhares que estão em terra,
e cravaram a dor em todas as amizades.

vendredi 7 mai 2010

Recomeço

A noite caia por entre as estrelas,
as pedras das calçadas continuam iguais,
mas a janela da cave assobiava
uma cantiga doce, suave e bela demais.

Perdido nos problemas de casa,
coberto de dívidas intermináveis,
esqueci-me do que me rodeava,
anos perdidos em sonhos sofismáveis.

Esperava por ilusões não concretizáveis,
como os passeios à beira mar de mão dada,
sentarmo-nos no meio dos campos de trigo,
colhermos sonhos e plantarmos contos de fada.

Esqueci-me que o papel é para cartas de amor,
e não é para ser usado para separar casados,
para oficializarmos o virar de costas permanente,
para começar uma luta que não irá a algum lado.

Comecei a desconfiar dos que me rodeavam,
parece que a felicidade encontrou outra estalagem,
nada me pertence, tudo me passa ao lado,
zarpei numa viagem sem sentido de paragem.

Caminho para descarregar toda a raiva,
descontrolado e a lutar para me aguentar,
tudo se tornou numa luta de sobrevivência,
sou um ponto perdido a boiar num imenso mar.

Mas desta noite guardo o simples assobio,
da música e da canção excelentemente cantada,
posso não ter nada mas tenho o princípio,
a atenção vinda pelo ar de uma noite passada.

dimanche 2 mai 2010

Alguém viu o meu amor?

Na espuma do banho, perdida no frio da água,
vê o reflexo do corpo pelos azulejos,
na esperança que o seu amor reviva,
na esperança de ser banhada pela auto-estima.

Aonde é que ela perdeu o seu amor,
como é que tudo isto lhe aconteceu.
qual foi o dia em que a faca cortou,
donde veio, porque é que nunca reparou.

Quando foi a última vez que andou de bicicleta
pelo parque passeando por entre balões,
como as recordações lhe trazem tantas saudades,
como a realidade se tornou em desilusões.

Agora procura agarrar a beleza que tinha,
perdida na rua, deita-se num banco porco,
sonha na companhia de whisky ás 3 da manhã,
o seu maior desejo é perder o seu corpo.

mercredi 31 mars 2010

Commuting to home

The sky that darks the street
the cars lit the headlights
the fog that hides the hail
It's dark my heart, you see.

The temperature cold freezing
it's unbearable to be here
the coats that pass dripping
It's dark my heart, you see.

It's the end of the evening,
the tube is full of people
the streets are jamming,
It's dark my heart, you see.

It's one hour traveling,
seeing the near houses passing,
the landscape is messing
the leftovers of my brain, you see.

In the most hidden corner
I'm outside of our building,
I'm finally next to you,
It's light my heart, you see.

All hail, I'm home, I'm entering.

jeudi 25 mars 2010

Jogo de arcada

Este jogo de arcada,
a sensação dos anos 80,
onde o joystick se dominava,
agora é posta de parte.
Perdida numa sala fechada,
numa rua perdida no barulho,
os néons apagaram-se,
as pessoas passam ao lado.
Os canos pingam ao som dos passos
do escritório de cima,
onde é que ponho a moeda,
onde a ligo à tomada?
Bato no contraplacado
para o ecrã acender,
abano-a para acordá-la,
como posso reavivá-la?
Agarro o manípulo, carrego no botão,
preparo-me para a viagem,
o sonho que a moeda cria,
levanto vôo e esqueço da aterragem.

mercredi 24 mars 2010

Música, minha amante

A música, minha companheira do meu ser,
com quem eu quero estar todos os dias,
mesmo que me dê prejuízo e tristezas,
é e será sempre a minha amante e mulher.

A canção é uma celebração, um elogio,
uma declaração de amor sincera,
algo que canto, escrevo e assobio,
e aceno para que ela não me esqueça.

Mas ela vai virar a cara novamente,
e eu vou continuar a escrever-lhe cartas
e vou continuar a declamar poemas. Porquê?
Porque é assim e eu a amo infinitamente.

samedi 13 mars 2010

Guerreiros

O som do universo nos guerreiros
presentes nos campos de batalha
são presentes em laços vermelhos
buracos de balas embrulhadas.

Deitados nas trincheiras lamacentas,
cobertos de nacos de terra nos hospitais,
no inferno onde jazem os corpos nas macas,
do início ao seu fim, luta de mortais.

Membros estropiados, caras de dôr,
lágrimas que cobrem o sabor do metal
substância que acaba com o amor
que rasga a carne e faz muito mal.

As caras camufladas, o cheiro a medo,
a chuva que bate sem piedade,
o vento que corta os olhos dos soldados
que rastejam ao encontro da verdade.

Um prédio é construído por vigas de aço,
a conquista do terreno por vidas humanas,
para os soldados o material é o soldado,
espera-se não se perder ninguém nesta batalha.

lundi 8 mars 2010

Fama

Alguém te faz um bico,
alguém acende um bic,
alguém fuma haxixe,
alguém tem uma trip,
alguém acha isso fino,
alguém se regozija,
alguém ganha o vício,
alguém acha isso chique.

Escândalo? Qual é a sensação?
Nem sempre te podes esconder,
a tua mãe já não passa por aqui,
querias tudo, que tal? Gostas?
Gostas das fotografias?
É isto que querias?

dimanche 7 mars 2010

Cryptomnesia

Em que se torna os amores perdidos e os sonhos não atingidos quando alguém sabe que pode ter uma doença muito grave? Talvez se tornem em princípios de caminhos que avistamos no horizonte no meio de pradarias e que jamais conseguimos alcançar. Talvez as pessoas mais optimistas circundem os caminhos com campos verdes e extensos que terminam no horizonte, e as pessoas menos optimistas vejam um terreno árido e gretado.

Um sentimento de dormência começa a inundar o corpo de cada um, conquistando cada poro, cada pêlo do corpo e o coração continua a bater, dizendo que ainda aqui está e ele será a última pessoa a calar-se. Todos esses sentimentos serão sempre terminados por um suspiro, porque o caminho que cada um percorre, embora esteja muito longe do desejável, será sempre o caminho que lhes pertence e a coragem terá que se manter sempre e a luta pela vida extende-se até ao coração.

Neste momento, António decide que precisa sentir-se intensamente e apetece-lhe fumar um bocado de marijuana. "Bolas, não estou na Jamaica. Eu desconheço este mundo e não sei aonde em Lisboa posso arranjar um bocadinho de erva." Num súbito momento lembra-se que talvez o Bairro Alto seja o melhor local. Ele olha para o relógio e repara que batem neste momento 23 horas e o tempo chuvoso suspendeu-se para essa noite. Ele lança-se à rua à procura de si mesmo, mete-se no carro e obstinadamente vai até ao Bairro Alto.

Num tempo "desfriado" e aquecido pela chuva recentemente terminada, ironicamente protege-se do frio e percorre os cantos dos prédios do Bairro. "Com este tempo vai ser difícil encontrar alguém." - ele pensou para si próprio. Andou esquina a esquina e apenas encontrou alguém a vender haxixe. "Foda-se, não é isto que quero. Isto aqui não me atrai." - pensou.

- Será que não me arranja marijuana ou conhece alguém aqui que a venda?
- Neste momento o "bro" que anda aqui a vender essas coisas não está cá. Anda com a irmã doente.

"Talvez um bocadinho de marijuana ajude a irmã a curar-se", ele pensa mas teve o bom senso de não dizer. António sorriu então um bocado e disse:
- Obrigado. Fica para a próxima.

Como António desconhece aonde se pode comprar marijuana noutros sítios em Lisboa, mete-se no carro e retorna a casa. Já numa viagem mais calma e por ter perdido outro caminho, de janela fechada, a estrada, a luz do passeio e dos outros automóveis, mais a pequena e leve chuva que volta a cair acompanham-no.

Embrulhou-se na colcha e com o computador nos joelhos começa a ouvir a música no YouTube. Música a música percorre todos os nomes que conhece e que desconhece, deixando-se levar pelo tempo e pelas notas, suspira e acaba por adormecer.


Cryptomnesia

jeudi 4 mars 2010

To your heart

All the coal that I've burnt
All the railroads that I ran
Has the purpose to find your heart
Has the purpose to find my heart.

Choo-choo does the train to your heart
Choo-choo does the train from my heart

And my car is rolling on the streets
to find the city where have you been
And the sun of all prairies
Has the pray of all my dreams.

Honk-honk does the horn of my car
Honk-honk does the horn to your heart.

mercredi 17 février 2010

Já nada é como dantes.

O amor está morto filhos da puta,
já não há chuva que caia em nós
nem sinceridade simplesmente pura.

Tudo paira sobre a desconfiança,
a inveja de quem tem um bolso maior,
e ser um porco a cagar sobre a alma gémea.

No amor precisa-se sacrifício,
aqui ninguém se sacrifica por nada,
até vendem a mãe ao diabo para se safarem.

Passam por cima dos corpos jazidos no chão,
tiram-lhes a carteira para ver se têm dinheiro,
não têm respeito por ninguém, só amor ao vintém.

A honra da palavra?! Que estupidez.
A única esperteza que têm é querer furar.
Para onde eles vão? Apenas querem se safar.

Derretem-se em sorrisos postiços,
mas que ninguém lhes toque na carteira,
mudam até a lei para que a mentira se torne verdadeira.

Rebolam-se sobre as pérolas do suor de todos os trabalhadores,
atiram pela janela a comida que não querem,
e lá fora sobrevivem os esqueletos ignorantes.

Tudo está perdido e a morrer à fome estão as pessoas
até que as almas se cansem e nova revolução se levante,
e arranque a cabeça destes administradores arrogantes.

samedi 6 février 2010

Todo o sol que nos aquece
e amolece os nossos dias,
ficaremos perdidos de pé
até cairmos de mãos vazias.

As pessoas completam-se,
preenchem-nos,
Até encontrarmos a pessoa certa
esperamos e andamos perdidos.

Just Breathe - Pearl Jam

Yes, I understand that every life must end, uh-huh
As we sit alone, I know someday we must go, uh-huh
Oh I'm a lucky man, to count on both hands the ones I love
Some folks just have one, yeah, others, they've got none

Stay with me...
Let's just breathe...

Practiced all my sins, never gonna let me win, uh-huh
Under everything, just another human being, uh-huh
I don't wanna hurt, there's so much in this world to make me believe

Stay with me
You're all I see...

Did I say that I need you?
Did I say that I want you?
Oh, if I didn't I'm a fool you see
No one knows this more than me

As I come clean...
I wonder everyday, as I look upon your face, uh-huh
Everything you gave
And nothing you would save, oh no

Nothing you would take
Everything you gave...

Did I say that I need you?
Oh, did I say that I want you?
Oh, if I didn't I'm a fool you see
No one knows this more than me
And I come clean, ah...

Nothing you would take
Everything you gave
Hold me til I die
Meet you on the other side...

dimanche 31 janvier 2010

As melhores histórias são aquelas que passam despercebidas aos nosso ouvidos e sem repararmos nunca mais as esqueceremos e olharemos muito mais tarde para elas com uma ternura intemporal.