vendredi 28 août 2009

Passar a ferro

De ferro de engomar em mão,
subo ao palanque,
dito novas políticas,
p'ra que a economia estanque.

De punho em riste
e punho bem cerrado,
passo as riscas
do meu velho casaco.

Todos aderem
sem qualquer pressão,
o vapor que solto
à goma em polvilhação.

O meu discurso termina
nos pulhos da camisa,
dobro o sonho que tinha
atiro-me à próxima faxina.

Um dia de trabalho

Passei às oito e meia em Entre-campos,
encontrei-te às nove na Quinta Ribeiro,
se amanhã levantar-me à mesma hora,
irei cruzar-me contigo no passeio?

Peguei no pires de mão aberta,
mas apenas trouxe o frio dos azulejos,
não era o cheiro que estava à espera,
sobre estas cores pirosas destes mosaicos.

De touca na cabeça e luvas nas mãos,
de pano na mão limpo as mesas,
arrumo os queijos e o chourição,
para atender a próxima clientela.

De coração, levanta-te e paga a despesa,
a soltura destemida do que julgamos existente,
tornou-se num resultado indiferente sobre a mesa,
neste dia Lisboa aspergia gente.

jeudi 27 août 2009

Bairro Velho - A Naifa

No bairro por trás da avenida nova,
com as ruelas sombreadas das traseiras,
onde na praça tudo é mais barato, cordial.

As peixeiras com olhos de boga,
gritam para vender o seu peixe.

As finíssimas senhoras das avenidas dão por mim quando passo.

Poema com Domicílio - A Naifa

Esta apólice, o vizinho de cima
a puxar o autoclismo
a bater na mulher e nos filhos.

A água da torneira com cheiro a lexívia
sempre a pingar
o televisor com uma avaria.

Talvez o canteiro das flores
sujas e maltratadas
estas zangas por tudo e por nada.

Os Milagres Acontecem - A Naifa

Os milagres acontecem
a horas incertas
e nunca estou em casa
quando o carteiro passa.

Hoje abriu a primeira flor
e eu disse é um sinal
olho em volta: estou só
trago esta sombra comigo.

Todo o amor do mundo não foi suficiente - A Naifa

Todo o amor do mundo não foi suficiente porque o amor não serve de nada.
Ficaram só os papéis e a tristeza, ficou só a amargura e a cinza dos cigarros e da
morte.
Os domingos e as noites que passámos a fazer planos não foram suficientes e foram demasiados porque hoje são como sangue no meu rosto, são como lágrimas.
Sei que nos amámos muito e um dia, quando já não te encontrar em cada instante, cada hora, não irei negar isso.
Não irei negar nunca que te amei. Nem mesmo quando estiver deitado, nu, sobre os lençóis de outra e ela me obrigar a dizer que a amo antes de a foder.

mardi 25 août 2009

The Jerk

Navin R. Johnson: Why are you crying? And why are you wearing that old dress?
Marie: Because I just heard a song on the radio that reminded me of the way we were.
Navin R. Johnson: What was it?
Marie: "The Way We Were."

From "The Jerk" (http://www.imdb.com/title/tt0079367/quotes)
http://www.youtube.com/watch?v=AI8NuFAETMQ&feature=related

lundi 24 août 2009

Entrevista a Manuela Ferreira Leite

Na última entrevista feita na RTP1 na "Grande Reportagem" a Manuela Ferreira Leite, uma traça começou a voar à volta da câmara. Esta intromissão deste insecto faz levantar muito suspeitas em saber se Manuela Ferreira Leite é uma pessoa viva, ou é apenas uma carcaça embalsamada tornada em marioneta (Bunraku). Será que havia alguém a mexer as varinhas que se ligam aos membros para dar-lhe movimento? Acho que a RTP devia contratar Hércules Poirot para investigar este caso muito suspeito.

De qualquer forma, eu não podia deixar de me perguntar porque razão a traça apareceu. De onde ela veio? Será que ela veio do bolso do casaco?

A sua fisionomia, uma mistura de avó tia com rato de biblioteca, de induvidáveis vastos conhecimentos económicos e uma personalidade em que quando adere a promíscuos festivais de adesão de massas mantém a sua postura de pessoa bem formada, dificilmente consegue se abstrair de um papel de avó da nação. Se realmente for eleita como primeiro-ministro, não deixará de ser a avó da nação portuguesa. Se a encontrar na rua perguntarei se trouxe consigo os biscoitos de manteiga que faz em casa.

Mas quais são as outras opções? Será o homem da Regisconta? Será o homem do proletariado? Será o homem do "anti-do que se diz"? Será o Paulinho das feiras?

Eu voto no movimento 21 de Abril que descontraidamente e naturalmente subiu à varanda da Câmara Municipal de Lisboa com um escadote, trocou a bandeira portuguesa pela bandeira da Monarquia Portuguesa, levou a bandeira da República a lavar ao "5 à sec" porque estava imunda e entregou-a limpa e passada a ferro novamente à Câmara, ou voto no Sporting.

samedi 22 août 2009

Está na hora de comeres as palavras,
engolires o orgulho,
abrir os olhos,
pois este tempo não se volta a repetir.

jeudi 20 août 2009

O novo herói do século XXI

Boa noite. Bem vindos à "Grande Entrevista". Hoje temos o novo super-herói do século XXI. Ele tem combatido todo o tipo de crime, desde fraudes até ao simples roubo. Ele actua especialmente em Lisboa, mas já houve relatos de que actou na Bobadela, Beja e Porto. Ele aparece da forma mais imprevista, eliminando o caos e salvando as vítimas num instante. Muitas notícias têm aparecido no jornal a tentarem descrevê-lo, mas a sua identidade tem permanecido desconhecida. Hoje, pela primeira vez e talvez única vamos conhecer o novo super-herói do século XXI que tem instaurado a segurança nas ruas de algumas cidades portuguesas. Senhoras e senhores, temos a honra de apresentar o "El Caganés".

J (Jornalista): - Boa-noite.
EC (El Caganés): - Boa-noite.
J: - Estou a ver que tem uma boa pronúncia portuguesa. É português?
EC: - Sou sim.
J: Qual é o seu verdadeiro nome?
EC: O meu nome é "El Caganés".
J: Mas é mesmo o seu nome? Não é um pseudónimo?
EC: Não. O meu paizinho registou-me com esse nome no cartório nacional.
J: Aonde nasceu?
EC: Eu nasci na moita da Costa da Caparica. Está a ver aquelas praias enormes na Costa, com um areal extenso? Eu nasci nas moitas que rodeiam a praia.
J: Mas como nasceu?
EC: O meu pai tinha almoçado uma feijoada à transmontana e estava na praia a jogar à sueca com os amigos. De repente os feijões começaram a ficar atravessados na barriga e deu-lhe uma vontade de cagar. Correu até à moita, pôs-se de cócoras e escondidinho atrás do arbustro, descarregou a mercadoria. Com o calor, aquilo começou a endurecer e foi assim que eu nasci. Agora está-me a vir à cabeça um lembrete em que depois de ter nascido, cheguei ao pé do meu pai e de braços abertos gritei de alegria - "Pai!", ao qual ele respondeu-me - "'Das, que merda de filho." Ele é e sempre será o meu melhor amigo.
J: Então teve uma infância feliz?
EC: Não tive. Tive uma infância muito difícil. Todos os colegas das escolas onde eu andei gozavam comigo. O meu pai bem me mudava de escola com o objectivo de pararem de gozar comigo, mas não havia maneira de terminar com as boquinhas.
J: Mas o que lhe diziam?
EC: Tantas coisas, que já nem me lembro de todas. Diziam-me várias coisas como por exemplo: "Olha o cara de cócó.", ou, "Se eu fosse o teu pai, puxava o autoclismo". Foram momentos muito tristes que eu nem me quero lembrar, pois fiquei com más recordações desse tempo.
J: O que queria fazer na vida?
EC: Eu sempre quis ajudar as pessoas, mas não sabia como. Foi por isso que me tornei no que sou agora.
J: Mas porquê num super-herói?
EC: Um dia estava a ver o telejornal e em todas aquelas notícias, percebi que a maioria das pessoas só fazem merda e procuram escondê-la de todos para aparecerem à frente dos outros de forma limpa. Se repararmos, desde o político, ao banqueiro, ou ao gestor, todos eles fazem merda. Pode ser trafulhices de várias formas, mas não deixa de ser merda. Revoltado com esta situação, resolvi tornar-me num super-herói e pôr todas estas situações a descoberto para instaurar a justiça para os mais necessitados.
J: Daí o seu nome?
EC: É o meu próprio nome, "El Caganês". Se quiser pode considerar-me como o justiceiro duro, o que não adormece em coisas moles.
J: Qual é o seu principal super poder?
EC: É que cheiro mal.
J: Mas como considera isso um super poder?
EC: Imagine o seguinte. Uma raparigas está a ser assaltada num beco por um grupo de ladrões. Eu chego, e imediatamente os ladrões fogem com o cheiro, deixando a bolsa com o dinheiro para trás.
J: E tem mais outros super poderes?
EC: O outro super poder que tenho é que tenho um olfacto muito apurado. Consigo detectar facilmente desvios de dinheiro, falsificações de papéis a quilómetros de distância. Sou como o cão da Maddie. Aquele que cheirou a casa da Praia da Luz, só que melhor ainda.
J: E qual é o seu pior inimigo?
EC: O meu pior inimigo é o Scottex.
J: O Scottex, porquê?
EC: Porque ele tem uma folha dupla e actua em dois lados ao mesmo tempo. Agora já existe em folha tripla, tornando-se ainda mais perigoso. Ele também é super macio e agarra bem. Por isso, se me toca, pode-me esborratar-me contra a parede num instante.
J: É só esse o seu principal inimigo?
EC: Sim, mas o problema é que existem vários tipos de Scottex. Temos o de folha preta, o de folha verde, o de folha dupla e tripla. Também temos o amigo do Scottex. Aquele Labrador com ar de querido. Mas não se engane com a cara dele. Se ele aparece, facilmente enrola-me de Scottex e depois não consigo libertar-me mais. O Scottex preto actua especialmente à noite, quando ninguém o vê, e o Scottex verde normalmente actua nos pinhais e jardins. Às vezes, estou a passear no jardim com a minha namorada e ele está sempre a rondar-me atrás das árvores, pronto para me apanhar. Como vê, tenho que andar sempre atento para não me apanharem desprevenido. Estas ruas estão cada vez mais perigosas.
Já estou a ouvir alguém a correr. Deve ser aquele cão com a folha na boca. Tenho que me ir embora. Tenho que ir resolver mais crimes. Adeus.

Assim o super-herói desaparece do cenário num instante.

J: Senhores e senhoras, esta foi a possível entrevista com o super-herói. Sempre com o tempo bastante preenchido, ele não tem tempo para descansar para que as cidades vivam em segurança.

vendredi 14 août 2009

Se a minha perna esquerda

Querida perna direita,

Se a minha perna esquerda tivesse mais um centímetro, teria a coluna mais direita, o cabelo com o tom de castanho claro, os olhos mais claros, ainda sorria mais, ainda contava mais piadas, tornava-me num falador, ainda teria mais iniciativa, tinha um cão grande... Se a minha perna esquerda tivesse mais um centímetro, tenho a certeza que gostavas de mim.

Beijinhos da minha perna esquerda.

mercredi 12 août 2009

Noite de Verão

O que existe de mais engraçado e agradável para os moradores de zonas como as Janelas Verdes e Santos, é durante uma noite de Verão quente um grupo de amigos trazer o banco para a rua, ou juntar-se nos bancos das escadarias para passar a noite em conversa ou a tocar música. É uma das coisas mais agradáveis que se pode fazer nesta zona.

lundi 10 août 2009

Videotape - Radiohead

When I'm at the pearly gates
This will be on my videotape
My videotape.

Mephistopheles is just beneath
And he's reaching up to grab me

This is one for the good days
And I have it all here in
Red, blue, green.

You are my center when I spin away
Out of control on videotape
On videotape.

This is my way of saying goodbye
Because I can't do it fact to face
So I'm talking to you before
No matter what happens now
I won't be afraid
Because I know
Today has been the most perfect day I have ever seen.

lundi 3 août 2009

APCA - Associação de Protecção aos Cães Abandonados

A APCA - Associação de Protecção aos Cães Abandonados, tais como outros canis precisam sempre da nossa ajuda para qualquer coisa. As pessoas que trabalham lá em regime de voluntariado vão para ali aos fins-de-semana e feriados. Eles prescindem uns minutos da sua família e dos filhos para se dedicarem a causas sociais.

Eu não tenho alguma afinidade com a APCA, nem sequer trabalho lá. Apenas contribuo com a alimentação e outros bens para a associação. Quem tem cães sabe como eles são fieis às pessoas e como gostam de nós. Por vezes, os humanos conseguem ser maldosos e desprezíveis. Os cães são sempre os nossos companheiros até ao resto da sua vida. Eu falo por experiência própria. Encontro mais facilmente amor num cão do que em certas pessoas.

Estou a divulgar esta associação porque me apetece e porque ajudo-a no que posso. Acho louvável contribuir para qualquer associação de solidariedade séria, independentemente da área onde actua. Todas as pessoas que dedicam parte da sua vida a estas associações são pessoas abençoadas.

Por isso, esta mensagem serve para incentivar as pessoas a contribuirem de qualquer forma para estas associações. Contribuam com qualquer coisa. No caso da APCA, nem que seja com uma lata pequena para gatos.

Quando a solidariedade se constrói, a sociedade eleva-se mais um bocado.

Por favor, contribuam de qualquer forma.

http://www.apca.org.pt/

samedi 1 août 2009

Anedota do proctologista

Um senhor usava um olho vidro. No final do dia, tira o olho e põe dentro de um copo de água. Ele continua com a sua vida, até que pega no copo onde tinha o olho, bebe a água e sem querer engole o olho.

No dia seguinte, sente-se bastante mal da barriga e decide ir ao proctologista. Ele conta a história ao médico e o senhor doutor diz:
- Faça o favor de baixar as calças e virar-se.
O médico olha para o paciente e depois vira-se para ele diz:
- Eu tenho que confessar que após cerca de 15 anos de profissão sempre olhei para cús e esta é a primeira vez que tenho um cú a olhar para mim.