vendredi 26 juin 2009

O adivinho

Neste eterno e perpétuo caminho,
encontro um homem adivinho,
que pergunta-me se quero estar
neste lugar ou noutro sítio.

Eu pergunto porque me diz isso,
ele responde-me para me conhecer,
mas eu sei o que prefiro,
e o que pretendo não posso ter.

Prefiro estas pedras das calçadas,
preferia ter a oportunidade de escolher,
e não ter que receber o indesejado,
simplesmente porque assim alguém o quer.

- És selectivo?
- Sim sou, se bem me conheço.
- Então porque mostras o contrário?
- Porque procuro conquistar sítios a que não pertenço.

- Mas porque te enganas,
se o que tens é mais que suficiente para viveres?
- Talvez pela inerente insatisfação humana,
de querer o que não se pode ter.

Talvez por querer tanto algo,
que esse algo não acontece.
Talvez por estar cansado de esperar
a ver os dias a sucederem-se.

- Mas porque insistes?
- Por um ser ser insubstituível,
pela dúvida de não ter, existir,
pelo meu coração ser-me fiel.

Por ter coragem em dar a minha vida,
para as mãos de um desconhecido,
por apostar toda a minha vida
nos sonhos que acredito.

- Olha os caminhos que escolhes...
- Dá-me um caminho agora e de vez!
O que há em abundância é falta
de nenhum caminho chegar-se à frente.

O adivinho foi-se embora,
num instante gerou-se silêncio,
não percebi o que se passou,
talvez quem me responda seja o tempo.

mardi 23 juin 2009

Viagem

Hoje vou viajar sem roupa,
estou farto de toda a bagagem,
em guerra lutando por paz,
nada pretendo desta viagem.

Só de bilhete na mão,
acenando para nada e pronto,
quero que tudo seja normal,
deixando para trás o cronómetro.

Farto de estar rouco,
não me condene pela amplitude,
de tudo quero já pouco,
porque quis sempre mudar de atitude.

Mesmo que a qualidade seja inferior,
sou aquilo que quis para esta viagem,
pouco foi sempre o meu amor
e pouco eu não quero mais.

Vazio

Quando todas palavras não chegam,
quando não há mais nada no dicionário,
quando a sinceridade não vira a cara,
apenas resta ninguém, o vento, o assobio.

Pescador solitário no mar alto,
perdido pelas estrelas do céu,
os mapas foram levados pelo vento,
a noite não passa para além deste breu.

Calma. Dá tempo ao tempo,
por muitas dúvidas que tenhas nessa boca,
algum dia virá, terá que vir,
mesmo que viver te deixe louca.

Sobre todas as coisas - Chico Buarque

Pelo amor de Deus,
Não vê que isso é pecado desprezar quem lhe quer bem,
Não vê que Deus até fica zangado vendo alguém
Abandonado pelo amor de Deus.

Ao Nosso Senhor,
Pergunte se Ele produziu nas trevas o esplendor,
Se tudo foi criado - o macho, a fêmea, o bicho, a flor,
Criado pra adorar o Criador.

E se o Criador,
Inventou a criatura por favor,
Se do barro fez alguém com tanto amor
Para amar Nosso Senhor.

Não, Nosso Senhor,
Não há de ter lançado em movimento terra e céu,
Estrelas percorrendo o firmamento em carrossel
P'ra circular em torno ao Criador.

Ou será que o deus,
Que criou nosso desejo é tão cruel,
Mostra os vales onde jorra o leite e o mel,
E esses vales são de Deus.

Pelo amor de Deus,
Não vê que isso é pecado desprezar quem lhe quer bem,
Não vê que Deus até fica zangado vendo alguém
Abandonado pelo amor de Deus.

Paz vazia

Nesta sala vazia,
fim de festa-feira,
amanhã é novo dia,
moço de estribeira.

Roda na ciranda,
vira para o sim,
colocado em banda,
olha para mim.

Paz sem voz, não há,
quem não te quer,
diz-me o que se passa,
quem não te vê?

Ás vezes eu falo com a vida,
quem não me quer ver feliz.
quem é que não me vê,
Alguém me diz?

Quem escreveu "Os Lusíadas"? - Anedota

Numa manhã, a professora pergunta ao aluno:
- Diz-me quem escreveu Os Lusíadas?

O aluno, a gaguejar, responde:
-Não sei, Sra. Professora, mas eu não fui.

E começa a chorar. A professora, furiosa, diz-lhe:
-Pois então, de tarde, quero falar com o teu pai.

Em conversa com o pai, a professora faz-lhe queixa:

-Não percebo o seu filho. Perguntei-lhe quem escreveu "Os Lusíadas" e ele respondeu-me que não sabia, que não foi ele...

Diz o pai:
-Bem, ele não costuma ser mentiroso, se diz que não foi ele,é porque não foi. Já se fosse o irmão...

Irritada com tanta ignorância, a professora resolve ir para casa e, na passagem pelo posto local da G.N.R.,diz-lhe o comandante:

-Parece que o dia não lhe correu muito bem...

-Pois não! Imagine que perguntei a um aluno quem escreveu "Os Lusíadas" respondeu-me que não sabia, que não foi ele, e começou a chorar.

O comandante do posto:
-Não se preocupe. Chamamos cá o miúdo,damos-lhe um "aperto", vai ver que ele confessa tudo!

Com os cabelos em pé, a professora chega a casa e encontra o marido sentado no sofá, a ler o jornal. Pergunta-lhe este:
-Então, o dia correu bem?

- Ora, deixa-me cá. Hoje perguntei a um aluno quem escreveu "Os Lusíadas". Começou a gaguejar, que não sabia, que não tinha sido ele, e pôs-se a chorar. O pai diz-me que ele não costuma ser mentiroso. O comandante da G.N.R. quer chamá-lo à esquadra e obrigá-lo a confessar. Que hei-de fazer a isto?

O marido, confortando-a:
-Olha, esquece. Janta, dorme e amanhã tudo se resolve. Vais ver que se calhar foste tu e já não te lembras!...

O julgamento

Bato com as folhas do livro nas mãos. Num movimento constante procuro disfarçar os nervos em que me encontro.
- Porque fazes isto?
- Isto o quê? - replico.
- Pára quieto com as mãos!

Os sucessivos julgamentos têm dado cabo da minha saúde. O juíz, sempre com um ar moralista tenta controlar-me. Vestido de corvo, trata-se mais de uma personagem necrófoga que tem prazer em encontrar culpados.

As várias sessões tem-se tornado numa batalha de David contra Golias. Procuro defender-me com unhas e dentes, mas o muro está a cair. Que faço aqui? Quem me pegou em mim em Berlim e trouxe-me até aqui?

Procuro evitar as janelas estriadas, onde os muros irão guardar os segredos da minha vida. Procuro fugir ao isolamento. Ai! Se não conseguir safar-me, tenho a certeza que muita gente está interessada em pôr uma bala no meu crâneo.

Procuro trazer a melhor confiança possível para a frente, para que consiga controlar as palavras. Este é o momento para evitar que estes dias se tornem negros. Se não conseguir, morri.

A noite

Alma mater, o dia está a fechar. As pessoas estão a chegar a casa. As pessoas mergulham nos corredores. As luzes acendem-se. As pedras gelam-se. A noite põe-se.

Viviane sai para a rua. O dia está a começar. Como trabalho, ela apenas tem que esperar que as almas perversas e deturpadas venham ter com ela pelo prazer da desgraça. Ela acumula a obscuridade de todos os demónios escondidos que vão fermentando com o tempo, tornando-se em lágrimas.

A insensibilidade que o corpo ganhou devido à calosidade criada pela brutidão dos homens, há muito tempo foi adquirida e agora Viviane deixou de ter arrepios. Ela é mais um depósito da desgraça e todos descarregam e carregam nela. A carga é enorme, cheia de teias, velha, sinistra, tudo em cima dela.

As linhas fisionómicas da sua fronte mostram que ainda é muito jovem, quase a roçar a maior idade, que faz de todos os homens que abordam-a pederastas involuntários. A juventude de Viviane ainda lhe dá força para ignorar a desgraça em que já vive e dá-lhe tempo para sonhar com a felicidade eterna. Mas a idade há-de passar e Viviane vai ficar sempre no mesmo sítio, sobre as mesmas pedras e depois perceberá que é mais uma pessoa que está à espera que o tempo passe.

Está na hora. As árvores de rapina estão a chegar. Vindo do trabalho, preferem descarregar a frustação das suas vidas antes de entrarem em casa. De olhos luminosos, um atrás do outro, um abutre soturno atira-lhe umas palavras maldosas sobre dinheiro. Viviane, levado pelo facto de nunca ter compreendido a sua vida, aceita e entra no carro. Ambos desaparecem.

O carro, de luzes acessas, gastas pelo tempo, ilumina mal o empedrado da estrada de acesso. Chegado à grande artéria principal, andam uns quilómetros, até que viram à direita por uma ruela da arcada. Entram num novo bairro.

O bairro construido sobre um monte de terra inóspito, é preenchido totalmente por casas sociais. Quem entra no bairro tem vontade em fugir. A miséria e a loucura preenche todas as noites. Mas hoje, não existe lua, a noite está cada vez mais escura e sombria. O carro decide virar à direita para um beco escuro. Para onde foram eles? Perdi-os. Viviane nunca mais aparece.

lundi 22 juin 2009

Cidade de barro

Nesta terra pintada em tons de barro, onde as gôndolas estão atracadas a paus de rebuçado listrados de vermelho e branco, trata-se de um lugar inaudito. Neste lugar inspirador e romântico, as âmbulâncias são barcos, os alimentos chegam ás lojas de barco, tudo funciona à volta deste meio de transporte. Quase todas as casas têm nas traseiras uma porta de madeira virada para a água. Neste porta, colocada a alguma distância da água, permite que os loucos acedam às pequenas embarcações.

No fim da tarde, uma mão casta abençoa toda a cidade. Várias tonalidades soturnas pintam todos os recantos da cidade; pessoas, esquinas, sombras, a água - nada escapa a Deus.

samedi 20 juin 2009

Inclinado sobre o parapeito,
vejo como o amor é perfeito,
mesmo que não esteja contigo,
encontro-te dentro do meu peito.

Não há dia que não pense em ti,
todos os dias te quero ver,
debruçado sobre a janela em noite feita por ti,
mas o teu toque não será para mim.

Fecho os olhos, olho para dentro,
na minha alma tento te alcançar,
vejo a lua coberta por um azul intenso,
como eu te queria amar.

Ouve o meu coração, estás a ouvir,
ele bate para ti e todos sons são promessas,
é com propósito fundo que gosto de ti,
é uma chama que cuido para que se mantenha acessa.

vendredi 19 juin 2009

Querida Shalina

Querida Shalina, porque insistes fazer planos com a tua vida, se ela é o que te aparece à frente? Porque insistes amarrar-te a algo? Aconselho-te a te entregares à vida, às flores, à incerteza. Jamais conseguirás fugir dela.

Querida Shalina, porque não dás as mãos aos teu pais para atravessares à rua? Muito dos acidentes acontecem nas nossas costas, quando menos esperas. Não deixes as mãos soltas e não as entregues a estranhos. Dá uma mão ao teu pai e outra à tua mãe, assim estarás sempre bem acompanhada e todas as pessoas más deixar-te-ão em paz. Só largarás as mãos deles quando souberes que outra pessoa ama-te tanto como os teus pais.
Não há dia que não pense em ti,
como eu queria agarrar o tempo,
talvez tenha que mudar de país,
como eu queria este momento.

Não te esqueças de mim,
quando chorares,
lembra-te de mim,
quando de mim precisares.

Tribute to Rocio Jurado (la Chipionera)

Rocio Jurado is a great spanish singer that unfortunely died very young. 61 is a very young age, and each time I hear her singing, it's impossible to feel touched. She's also a beautiful woman. If you hear her singing, immediately you start to see how big a person can be and how unfair live is. Sometimes, it seems that beautiful people die young, remaining only the useless people.


"Como yo te amo...
convencete... convencete...
nadie te amará.

como yo te amo
olvidate... olvidate,
nadie te amará."

Mosquitoes

Mosquitoes are an advanced species. They attack silently, when no one is looking. Especially male mosquitoes that don't buzz, and when you noticed that they're in your room, they already bit you.

Then you lit the lights and start looking to the ceilings or the upper side of the walls, scanning each centimeter looking for something, but you can't find anything. After ten minutes, you give up, shut the light off and fall asleep. Later on, you feel itches in you arm. "That insect firstly sucked in my left arm, now it's on my right. I'm gonna squat him with my pillow". And there you go again, start scanning the ceiling and the walls. Nothing, you can't find anything and you gave up again.

Now you cover up yourself with the sheet. Your head is the only thing that is outside the sheet. You start sweating, because the summer night is so hot. You hang on. Suddenly, he already bit both feet, right in the veins. "How he could bit my feet if they were all covered?" Your itches grow enormously and your feeling of revenge grows too. "I'm gonna kill this sucker."

You decide start looking into the floor, behind the wardrobe and the bedside tables. Nothing! You can't find anything. Furiously, you start swinging the pillow in the air, hoping that you hit something. You swing, swing. You pass desperately the pillow along the most crooked corners of the furniture. Finally, you gave up because you can't support the heat and you can't get the mosquito. You decide to go to sleep to the living room.

As you can see, these smart insects are very good. They borned in the water, they're small and fragile, but, for me, they belong to the set of the most dangerous animals, and each year, they seems to be more intelligent and advanced.

When I was a child, when I was bit by a mosquito, I could find him in the nearest wall above my head. They all buzzed, and for that reason, you knew where they were. Now, you can't find him, and when you noticed that there is a mosquito in the room, he already bit all of your body, right in the veins where it itches more.

Freewriting - a blessing technique

Free writing technique is a good way to express ourselves. Writing everything that we're thinking, neglecting punctuation and spelling, is a form to express our heart and to educate. For example, if I choose to free write only good thoughts, I'm building my strength and motivation, and this is the best aid that we can provide to ourselves.

I won't explain what is free writing, please search on the web, I'm such giving a short statement about that.

Who knows that, whilst I'm reviewing what I've written, I can see more clearly what is in my mind, and put aside all the thoughts that are really distracting me for my main focus. For example, when I write what my mind is thinking, it's very easy to find contradictions or misjudgements. Detecting these feeble points, forces me to correct them instantaneously, and moving with my life. The more sensitive points you write down and correct the faults, the more strong person you will be.

mercredi 17 juin 2009

Searas

Vejo no teu pincel,
um abraço que pintas,
engrandecido pelo amarelo,
o amor do vento das searas.

São searas de trigo,
que cresceram com os anos,
nada mais meu amigo,
são golpes não sarados.

"Agarra-te a mim", dizia-me ela,
eu pensava em auto-retratos,
algo que pudesse conhecê-la,
agora são anjos caídos.

jeudi 11 juin 2009

Lucha de Gigantes - Antonio Vega

Lucha de gigantes
convierte,
el aire en gas natural
un duelo salvaje
advierte,
lo cerca que ando de entrar
En un mundo descomunal
siento mi fragilidad.

Vaya pesadilla
corriendo,
con una bestia detras
dime que es mentira todo,
un sueno tonto y no mas
Me da miedo la enormidad
donde nadie oye mi voz.

Deja de enganar
no quieras ocultar
que has pasado sin tropezar
monstruo de papel
no se contra quien voy
o es que acaso hay alguien mas aqui?

Creo en los fantasmas terribles
de algun extrano lugar
y en mis tonterias
para hacer tu risa estallar

En un mundo descomunal
siento tu fragilidad.

Deja de enganar
no quieras ocultar
que has pasado sin tropezar
monstruo de papel
no se contra quien voy
o es que acaso hay alguien mas aqui?

Deja que pasemos sin miedo.

mercredi 10 juin 2009

Anónimo

Num universo esparso, escuro,
de bilhete em riste, o destino,
uma viagem única vai-se tomar,
viaja-se sempre para o desconhecido.

Na luta de agarrar o descontrolo,
sem querer perder a postura,
no deixar largar para viver,
sem deixar que o vício perdure.

Numa batalha já travada por outros,
nunca a ignorância foi tão branda,
onde se aclama e procura-se a virtude,
num piano proporcional ao tamanho.

A precisão sempre criou a paixão,
uma luta que condecora quem merece,
de heróis a tentarem controlar a sabedoria,
uma luta interminável que nos envelhece.

As palavras sempre enfeitiçaram tanto,
por cada verbo proferido, um destino,
seja no passado, presente ou futuro,
as palavras servem sempre de registo.

lundi 8 juin 2009

Regras do mundo do nada

1 - Não se faz nada
2 - Não acontece nada
3 - Não existem opções
4 - Não se tomam decisões
5 - Não existem gostos

samedi 6 juin 2009

Os sonhos maus

A água do oceano cai sobre mim,
os peixes nadam sem fim,
as gotas são incontáveis,
os monstro são indomáveis.

Fico feliz quando se manifestam só nos sonhos,
que vivam num reino limitado e finito,
porque é lá que eles pertencem,
e não preciso deles no mundo dos vivos,
não preciso deles ao pé de mim.

vendredi 5 juin 2009

Quando não sobra nada

Quando tudo foi dividido,
nada resta nada para subtrair,
não há lugar para se virar,
não há nada que possa sobrevir.

Almas cobertas por um deserto,
as bocas suplicam por água,
como um prisioneiro de guerra
a ser torturado fora da pátria.

As roupas rasgadas pelo tempo,
tiras que não disfarçam o óbvio,
mas não existe alguém para assumir,
o que do futuro escolheu o frio.

jeudi 4 juin 2009

Social Robots - a shocking reality

Social robots are the future in robotics. It will exist lot of corporates who will like to sell social robots and it will be lot of consumers who are alone and need someone to talk. The act of replacing a human friendship by a robot is closer than ever. It's really impressive and sometimes shocking seeing a robot interacting with a human. Nevertheless, it will exist many buyers who are willing to purchase one.

It's amazing how a human responds well to a person face, even if that face is made of some kind of fabric. We're really similar to any other animal. If we see a face, we interact it well and it doesn't matter if it's human or not. It's just like a parakeet that looks to a mirror. For him, the reflection that he sees, is just another animal and not himself.

In a video that I saw on the web, a MIT professor shows a student interacting with a robot, called Kismet. The student was teaching the robot that Big Bird and Cookie Monster (characters from the Sesame Street) are good or bad characters.

In the first experience, the student shows a plush Big Bird, saying that the plush is a friend. After that, he says to the robot to grab the object. The robot, delightfully, grab it.

In the second experience, the student teaches the robot, saying that the Cookie Monster is bad. Then, he orders the robot to grab it and force it. The robot pop its eyes, roll its head to the back and silently shows repudiation to the object.

It's really outstanding seeing an robot interact, but two things shocked me. Firstly, it doesn't affect me talking to a robot. For this simple reason, this is amazing. I reflected myself in the student position, and I would do the same thing. Nowadays, I talk to my dog. I know that he doesn't understand each word what I'm saying, but the fact of knowing that someone is listen, it's wonderful and comfortable. Secondly, teaching a robot that the Cookie Monster is bad, this principle goes against my values, it's difficult to watch. For me, Cookie Monster is a funny character and not a bad animal. For this reason, seeing someone teaching a wrong thing, it shocked me. With these robots, it's possible to teach wrong values, and they will act without weighing the act. It's just like teaching a rottweiler that attacking a person is good thing. We know that it's wrong and immoral, but the robot will ever notice?

Just for curiosity, a robot is accepted if it's a social robot if it is autonomous in thinking and passes the Touring Test and respect Isaac Asimov's Three Laws of Robotics. It's really the big deal.

Tenho saudades das árvores

Tenho cada vez mais saudades das árvores. Tenho saudades de estar sentado sobre uma erva rasteira, de estar rodeado de árvores altas e frondosas e de todo o tipo de insectos - formigas, pequenas aranhas e outros bichos microscópicos. Tenho de saudade de tocar num tronco enrugado, de sentir a áspera casca que protege a árvore. Tenho saudade de ver pedras, grandes ou pequenas, tanto faz, de pegá-las e atirá-las para o vazio. Qualquer dia passo uma tarde num pinhal a descansar no automóvel. Só falta mesmo uma companhia decente para estar a conversar.

Já estou farto de tanto cimento e alcatrão. Tenho vontade de viver numa pequena localidade, ou numa cidade única, como por exemplo Veneza ou Innsbruck.

Veneza é a cidade onde os prisioneiros e os doentes são levados para as prisões e hospitais, respectivamente, de barco. Deve ser extraordinário observar tal acontecimento. Veneza é a cidade onde os barcos enlaçam as cordas em paus de rebuçado listrados de vermelho e branco. É a cidade onde se ouve música clássica por todo o lado. Espectacular.

Innsbruck é uma cidade rodeada de montanhas, sempre com topo coberto de neve. Os abetos que começam a ficar acastanhados em meados de Setembro, começam a condizer com as janelas ou mesmo com alguns hóteis construídos em madeira. É concerteza uma cidade maravilhosa.

Se pudesse escolher um local para viver destas duas cidades, não saberia escolher.

mercredi 3 juin 2009

O problema do contador de histórias

Existe uma pessoa que adora escrever e contar histórias. Esse escritor passa dias sentado agarrado à maquina de escrever, e sempre num ambiente com pouca luz e humido, o som das teclas irrompe. Clac, clac, tlim...

À medida que ele escreve, o seu corpo muda. Por estar sentado bastante tempo, as mão e os pés ganham raízes. Estes acrescentos imiscuem-se na mesa e no chão de madeira. De repente, torna-se parte fixa da casa.

A cabeça dele incha e transforma-se numa copa frondosa. Os pássaros descobrem um novo lugar para estar e decidem poisar nos ramos. Imediatamente começa a nascer mais passarinhos. O que resta de um escritor solitário agora pertence à natureza.

Nos momentos em que não está a escrever, gosta de contar histórias. Para tentar ultrapassar o facto de estar sózinho, vai ao parque e pergunta ás pessoas se lhes pode contar uma história. Há dias que ele tem sorte, e uma mãe ou pai acede que ele conte a história aos filhos, outras vezes apenas lhe resta ficar sentado no banco a imaginar que está a contar a história dele para alguém.

De tanto contar histórias no mesmo parque, ganhou a alcunha do contador de histórias. Mas o contador de histórias tem um problema. Esse problema está na razão de ter-se tornado escritor.

Desde criança que sempre achou que conseguia criar um mundo diferente e bem mais interessante do que vivia. Sempre achou que o mundo não estava à sua altura. Esta atitude de arrogância e de decepção levou-o a escrever histórias, sempre com o objectivo de provar a alguém que consegue mostrar a todos os leitores que existe um mundo muito mais bonito e interessante para se estar e que todos deviam ter em consideração as suas crenças para viver melhor. Ele sabia que estas ideias deviam ser passadas de forma subtil e achou que a forma correcta de fazê-la era através das histórias.

De tanto criar os seus mundos e gostar de contá-los, esqueceu-se que acabou por erguer paredes. Por muita imaginação que tinha, cada vez que contava a sua história estava a descrever a sua personalidade. Sem se aperceber, as suas histórias foram ficando mais isoladas e distantes e já ninguém as compreendia. A sua boa intenção que levou-o a escrever, tinha-se tornado numa prisão, onde as paredes iam-se apertando por cada dia passado e iam-o sufocando cada vez mais.

Sem título conhecido - Bertolt Brecht

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.