lundi 29 décembre 2008

Ausência

Fui a Espanha, senti a tua falta,
passeio na praia, sinto a tua falta,
este exagero de ausência
que me preenche por dentro,
que me consome a todo o momento,
que paraliza a minha vida,
não sei o que faça senão chorar.

Todos os caminhos passam por ti,
sem te ver não faço nada,
és um ponto fora do meu alcance,
não quero exagerar, não te quero culpar,
se o único culpado são os meus olhos,
é a força que vai dentro de mim
que se quer manifestar contigo.

Nuvens do passado

Cada dia que passa, quero que pertença ao passado,
farei todo o esforço para não decorar o caminho,
que este presente fique no sítio mais estranho que conheça,
traçarei mapas para não passarem por este destino.

Cada passo que dou pela estrada, gasto os pés sem querer saber,
desejo que a pele se regenere e não deixe calo,
porque se falo é para não criar feridas, para não deixar marcas,
porque o peso que carrego, já é um fardo difícil de sustentá-lo.

O pior dos fardos é aquele que aparece no silêncio,
que não é possível apontar um culpado; de uma ideia,
pela simples condição de ser humano e ter sentimentos,
por chorar, sorrir, rir e amar o mundo que me rodeia.

vendredi 26 décembre 2008

Como Yo te Amo - Rocio Jurado

Como yo te amo,
como yo te amo,
convéncete, convéncete,
nadie te amará.

Como yo te amo,
como yo te amo,
recuérdalo, recuérdalo,
nadie te amará.

Como yo te amo,
como yo te amo,
olvídate, olvídate,
nadie te amará,
nadie te amará
nadie, porque...

Yo te amo con la fuerza de los mares,
yo te amo con el ímpetu del viento,
yo te amo en la distancia y en el tiempo,
yo te amo con mi alma y con mi sangre,
yo te amo como el niño a su mañana,
yo te amo como el hombre a su recuerdo,
yo te amo a puro grito y en silencio,
yo te amo de una forma sobrehumana...
yo te amo en la alegría y en el llanto,
yo te amo en el peligro y en la calma,
yo te amo cuando gritas cuando callas,
yo te amo tanto, yo te amo tanto, yo.

Observar

Por cada vez que componho
a minha alma fica mais presente,
fico mais próximo da minha gente
e cada vez mais dono do momento.

As raízes aprofundam-se mais
sem eu ter qualquer consciência,
que me agarro à reminiscência
e descrevo o que sinto e vejo.

vendredi 19 décembre 2008

Apagar

Tentas apagar-me mais do que eu consigo aguentar,
as perguntas que te faço são o espelho do que desejo,
a dôr que eu tenho que aguentar todos os dias com um sorriso
e andar de cabeça erguida a levar com mais vento.

Tenho a cabeça e os membros congelados,
tenho o coração a continuar a bater,
tenho a cabeça montada a retalhos,
e só me apetece esconder.

Não existe tempo para analisar,
deixa-me ir ter contigo, ou vem até mim,
o mundo não pára, nós é que envelhecemos,
vamos tentar encontrar um caminho sem fim.

lundi 15 décembre 2008

Homem dos papéis

Só vejo papéis em todo o lado,
nas prateleiras, nas mesas, no chão,
folhas caidas, outras penduradas,
és o coleccionador desde os dezasseis.
Os papéis preenchem a tua vida,
vives para eles, dentro deles,
cheiras a tinta, os teus dedos transpiram diluente,
só fazes riscos, traços rápidos e incisivos,
durante todo o dia rabiscas, riscas, reescreves histórias,
és homem feito de sonhos de papel.

samedi 13 décembre 2008

Incapaz

Eu sei o que quero dar, mas não sei se estás disponível para receber. Escondo-me por detrás da simplicidade e da pobreza, porque não posso adornar a minha incapacidade em alcançar-te.

Palavras escritas

Eu lembro-me da primeira vez que vi uma letra tão redonda. Como existiam pessoas que podiam escrever uma letra suave, aprazível aos olhos de alguém. Neste momento, descobri que havia ideias, alegria para além do alcance das minhas mãos e dos meus olhos. A partir deste momento comecei a procurar palavras e sons que pudessem tentar alcançar as ideias que são escritas em letras de natureza incomparáveis. Tudo ganha uma nova dimensão enquanto encontra-se escrito e bem descrito. Não se pode comparar com as letras escritas por pessoas agrestes, cheias de temperamentos voláteis, com palavras de poder inconstante.

Depois conheci Camille e Paul por detrás de um ecrã. A partir daí conheci a beleza e pureza do mundo. Vi a alegria em plena acção. Nasceu em mim a vontade de viver em pleno estado de alegria, saltar pelos campos verdes, correr, correr e correr até não poder mais.

Conheci a simplicidade das palavras e das acções, comecei a distinguir o bem através do silêncio. Comecei a observar no silêncio, a ver tudo acontecer fluidamente e naturalmente. Comecei a perceber como somos pontos de referência que agitam as acções pelo vento. Conheci o tempo, e como dele não pudemos fugir. Apenas nos resta plantar palavras e acções e esperar que germinem o que queremos. Não pudemos fazer mais nada. Está fora do nosso alcance.

Comecei ver que o que gostamos, torna-se o nosso jardim e é para ele que trabalhamos diariamente. É para ele que regamos diariamente, que acariciamos e dizemos palavras confortáveis. Tudo para vê-lo florir e reflorir.

vendredi 12 décembre 2008

Andamos juntos por acaso

Andamos emparelhados
acompanhando as fases da lua,
andamos juntos no étereo,
ambos não sabemos que existimos

lundi 8 décembre 2008

Portugal numa fila de trânsito

Portugal consegue ser caracterizado como a fila de trânsito matinal da IC19, num dia de semana. As pessoas estão empatadas uma nas outras a verem o tempo a passar, e não têm possibilidade de fugirem. Num minuto diferente, passa o automóvel do Presidente da República, escoltado pela polícia que expulsa toda as pessoas para o lado, porque neste caso, as regras tornaram-se diferentes, e certas pessoas têm o direito de ultrapassar outras sem qualquer discussão. Noutros momentos, existem as pessoas que circulam pela berma da estrada, tentando serem mais espertos que os outros.

Como resultado final, temos uma situação em que estamos todos parados por causa de uma profunda desorganização e há sempre alguém que tenta ser mais esperto que o outro para procurar sair daquela situação.

lundi 1 décembre 2008

Orgulho

Parvo é aquele que tem vergonha,
aquele que esconde o que sente,
porque tem medo de ser diferente
não entende o que sonha.

Todos nós somos diferentes,
isso faz o mundo é colorido,
se cada um de nós evita viver,
como poderiamos ser felizes.

Tenho orgulho das minhas palavras,
já fui mais longe que muita gente,
não tenho medo de ser zombado,
porque parvo é aquele que se julga sapiente.

Parvo é aquele que já nasceu ensinado
e se esquece que a vida é uma conquista,
é aquele que simplifica tudo o que vê,
porque nem sabe descrever o que avista.