dimanche 26 octobre 2008

A onda

A onda que cai,
espalha espuma,
leva-nos de encontro,
ao sonhos por um segundo.

Tapa-nos os ouvidos,
fecha os nossos olhos,
ficamos perdidos
entre pequenos zumbidos.

Levantamo-nos,
procuramos o nosso lugar
p'ra ligar o passado,
que foi interrompido
por vagas e remoinhos
salgados e sadios.

dimanche 12 octobre 2008

Tristeza que gera companhia

Apareceste do nada, homem perdido. Apenas te identifico pelas pelas letras PB cosidas diagonalmente no teu bolso da camisa. Não sei quem tu és, mas consegues chegar ao coração daquela mulher. Não sei o que fazes, mas o teu mistério atraiu a curiosidade dela.

Franzes a testa e mostras-te senhor protector do teu território. Transmites segurança para o coração dela, ela sente-se enternecida, porque já sofreu durante muito tempo e anda à procura de uma passagem curta e rápida para a felicidade.

Mas será que tu dás a felicidade que ela precisa, ou desapareces num ápice, tal como apareceste? Eu desconfio das passagens curtas, talvez por falta de fé, não quero que lhe enganes o coração e consumas o resto da esperança que ela ainda possui.




A tristeza que ela tem dentro de si, construiu este homem, que ela falou e cantou-lhe durante meia-hora. Mas até a tristeza se cansa, e à medida que o coração pedia descanso, ele foi-se embora de vez.

Adeus criança

Nos braços da enfermeira
foste embora pequenina,
criança sem rosto,
deixaste o pé de fora.

Abandonaste os teus pais
na manhã de cinzento,
flutuavas pelo corredor,
sem direito ao tempo.

Deixaste para trás sementes
de dúvidas por brotar,
a vida que tinhas pela frente,
é caminho que não percorreste.

Coberta num lençol,
que alguém divino te leve,
pede que te mostrem o sol,
nesta terra, ninguém te esquece.

Ignorância

Ignorância maldita
que te mascaras em opiniões,
de jornalistas ou de trogloditas
que se julgam doutores.

Que têm sempre resposta para tudo,
mas nunca dão a cara quando preciso,
porque no fundo não querem ser julgados
e rotulados por aquilo que já sabiamos.

Pavoneiam-se em dourados,
julgam-se inteligentes pelas palavras eruditas,
mas a quantidade não representa a qualidade
da simplicidade das ideias inauditas.

Cataclismo, vendavais,
meteorito nas cabeças
destes suspostos sábios,
porque é que Deus não os leva,
ainda vamos a tempo,
o mundo ainda respira.

Algo que não existiu

Para quê cantar à alma duma mulher,
quando ela não me quer ouvir,
é como bater em ferro frio
até as minhas mãos se abrirem.

É querer passear em campos floridos
em pleno Inverno triunfado,
e estar à espera que as pétalas
emanem cheiros delicados.

Apenas choramos na hora do enterro,
de algo que nunca nasceu,
que, pelas vozes das crianças, sonhei,
por algo que nunca aconteceu.

Só me resta pôr no passado
a ferida não partilhada,
porque tudo ficou em mim,
e de mim, partiu nada.

vendredi 3 octobre 2008

Caminhos perdidos

Quando o tempo é uma folha branca
e falta-nos a côr, as tintas para a tela,
paramos no tempo por falta de alegria,
sentimo-nos com a vida vazia.

Não sei se estou a enlouquecer,
ou alguém quer-me ver sofrer,
por estar tão longe dos meus sonhos,
alguém está a tirar daí prazer.

Parece que me querem ensurdecer,
por viver em gritos de solidão,
estado que em jovem ambicionava,
nem reparei que perdi o caminho de volta.

O tempo é muito, mas sem destino à vista,
procuro um caminho onde encontre companhia,
alguém que se entrose com a minha alma,
alguém que queira partilhar a vida.