mercredi 30 juillet 2008

Ode à sucata

Hoje sinto-me despojado. Sinto-me um vagabundo com as calças cheias de rasgos criado pela dureza da vida. Tenho os bolsos virados para fora. Perdi o que restava para comprar comida.

Não tenho nada, até ando a perder o cabelo. As pessoas bem dizem que estamos sempre a perder. Apenas posso dizer: "É verdade!"

Nós perdemos o brilho, perdemos a inocência, perdemos os pensamentos... Até perdemos as unhas. Tudo desaparece sem deixar rasto.

Foi-nos dado o conjunto completo à nascença, entregue no próprio corpo. Mas, somos uma criança distraída, que deixa cair sem querer o que gosta à medida que caminha.

Hoje sinto-me como uma luz fraca de um carro em sucata. Outrora fora brilhante, mas agora parece uma estrela moribunda. Tornei-me num objecto que ninguém quer.

Só me resta parar esta "fritadeira".

jeudi 24 juillet 2008

Pela última vez

Sob céu cinzento, percorri pela última vez a estrada da minha vida. Como um soldado que caminha para a frente do inimigo, o mundo que nos rodeia passa a ter uma nova forma. Tudo fica guardado no nosso cérebro, porque o cérebro sabe que vai morrer. As próprias palavras usadas sem qualquer respeito, atingem o seu valor máximo. Agora deixou de haver enganos, o caminho é único, e é preciso percorrê-lo sem indecisões. Quem tem dúvidas, é porque tem muito tempo para viver. No momento em que o tempo é escasso, age-se sem pensar.

http://www.worldartfriends.com/

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mardi 22 juillet 2008

Que raio de país

Eu quero parar de lamentar e crescer. Porque é que este país não muda de uma vez por todas. Já estou farto de impedirem-me crescer e obrigarem a engolir estupidez. Este país é horrível para se viver. É um país de oportunistas. O 25 de Abril não foi o suficiente.

vendredi 18 juillet 2008

Namorador ridículo.

O meu coração encheu-se de pérolas negras,
que carregam o peso da solidão.

O meu coração rasteja pelas pedras da calçada,
pisadas por milhares, molhadas de lágrimas.

O meu coração bate por bater,
bate porque precisa de viver,
bate, bate, sem razão.

O meu coração encheu-se de lamechas,
já nem eu próprio aguento,
tenho que trocá-lo por algo mais decente.

Vai-te embora, salta de uma vez por todas,
este peito está farto de ouvir os teus lamentos,
não tenho a culpa que adores ressentimentos.

lundi 7 juillet 2008

O cavaquinho - José Jorge Letria

Lá vai ele
a tocar pelo caminho,
muito alegre e divertido,
o cavaquinho.

Quatro cordas
muito finas
a tocar pelas praças,
nas esquinas
e também nas romarias,
nas feiras
e folias.

Quatro cordas pequeninas
fazem a dança,
a festança
do Algarve até ao Minho.
Aí vem ele, o cavaquinho!

dimanche 6 juillet 2008

NYC

Let's go out,
let's go for a stroll,
let's go for a ride,
we've got plenty to see
in the city of the thousands lights.

So many shops,
so many windows,
so many things to buy,
we'll gonna spend our money
in everything we find.

So many people,
so many cars,
so many things running wild,
hey, everybody is happy,
let's step aside.

vendredi 4 juillet 2008

O faroleiro

A última gaivota afasta-se à procura de uma rocha inacessível algures na costa norte. Cada vez mais sózinho neste mundo, o faroleiro sente o fosso que existe entre os sonhos e as ervas selvagens do penhasco. Calmamente, entra dentro da casa de trabalho e, pausadamente, sobe um grande número de degraus até chegar ao gerador. Liga-o. Um barulho constante imediatamente ressalta pelas paredes. A noite acabou de chegar.

A luz da lua e o azul escuro do céu mostram-se aprisionados pelas janelas do farol. Trata-se de um farol branco, duro, forte, plantado no cimo de uma ilha deserta. As janelas minúsculas, apenas servem para iluminar o interior. Esta ilha encontra-se localizada num ponto estratégico onde os grandes cargueiros transportam dentro de contentores herméticos, sabe-se lá o quê. Também não lhe interessa saber, ele apenas tem a função de cuidar do marco luminoso.

O faroleiro poisou o farnel sobre uma mesa velha, esburacada pelo tempo, pela vida calma das térmitas. Trata-se de uma mesa dura e pesada, feita para fazer companhia a uma vida. O faroleiro desata o pano, desembrulha o jantar, abre o termo, olha para a comida. Deliciado com o cozido de enganos, sente que falta algo para ajudar a não engasgar. Vai buscar o copo de meias voltas, fosco pelo sal, e enche-o com vinho tinto. A noite vai ser calma e longa.